sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Diocese Belo Horizonte - 24/01/2014

Bispo: Dom Eduardo R. Quintella

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ESCRITOS DE TERESA DE ÁVILA
LIVRO DA VIDA – (1565)
GÊNESE E COMPOSIÇÃO

É o primeiro livro escrito pela Madre Teresa. Deveria tratar neste livro apenas da sua vida como uma autobiografia, mas pelo fato de estar vivendo uma rica época de sua vida marcada por experiências interiores e místicas, entrou logo de cheio na parte espiritual porque a oração que fazia parte integrante da sua vida transbordava do seu ser e ela não podendo conter este caudal de graças, derrama sobre suas filhas tudo o que sabe, pensa e vive sobre o tema da oração.
Quando percebe que se desviou do assunto de sua vida retoma a pena para falar um pouco mais de si e da fundação do Carmelo São José.
Trata neste livro dos Quatro Graus da Oração, assunto que desenvolve com clareza e entusiasmo desde o capítulo 11 ao 22.

Podemos dividir o Livro da Vida escrito em 1565 da seguinte forma:
Capítulos
01 – 10 – Faz sua autobiografia a partir da infância até a sua conversão.
11 – 22 – Doutrina sobre a Oração, apresentando os quatro graus que ela encontrou como quatro formas de regar um jardim.
23 – 31 – Volta à sua autobiografia narrando as Graças Místicas que recebeu do Senhor.
32 – 36 – Relata a história da Fundação do primeiro Convento da Reforma Carmelitana “São José de Ávila”.
37– 40– Teresa conta com singeleza as últimas Graças Místicas com as quais foi favorecida por Deus neste período.
Teresa escreve para suas Filhas e pensa que não deve haver segredos entre mães e filhos. Por isso suas obras são carregadas de conselhos valiosos. Mulher de rara prudência e com uma experiência riquíssima na vida Espiritual e Mística, foi capaz de escrever e orientar as pessoas dando-lhes conselhos certos e na hora certa. É profundamente humana e respeita as situações e dificuldades das pessoas.
Quando sabe que alguma Irmã ou pessoa que a procura passa por dificuldades assim se expressa: haverá muitos que começaram de longa data e não conseguem sair do princípio, devido em grande parte – creio – a não abraçarem a Cruz desde o início. Por esta razão andam aflitos julgando que nada fazem. Não podem suportar se o intelecto deixa de trabalhar, mas a vontade se robustece e cobra forças embora não percebam. Conversamo-nos de que o Senhor não apura estas coisas, que nos parecem faltas e não o são. Muitas vezes tudo provém de indisposições corporais. As mudanças de tempo e as variações dos humores fazem muitas vezes que, sem culpa sua ela não possa realizar o que quer e padeça de todos os modos. Em tais ocasiões, quanto mais lhe fazem violência, tanto mais dura o mal.
É preciso descrição para ver quando é o caso e não atormentar a pobrezinha. Entendam que estão doentes; mudem a hora da oração, e às vezes será necessário que assim façam durante alguns dias. É bom nem sempre deixar a oração quando o intelecto está muito distraído e perturbado. Há outras ocupações com obras de Caridade e leitura de bons livros, ainda que por vezes nem isto seja possível.
Em tudo se serve a Deus. Suave é o seu jugo. Torno a avisar e não importa se eu o repetir muitas vezes, porque é muito importante: por securas, inquietações ou distração nos pensamentos, ninguém fique atormentado ou aflito ( Vida, c XI, 15 – 17 ).
O Livro da Vida é um testemunho pessoal e ao mesmo tempo tem o caráter de uma Tese Doutrinal. Teresa percebe que tem um carisma próprio que a conduz da experiência Mística ao escrito Místico. Ela escreve no Livro da Vida a respeito de outra maneira de união: Uma coisa é receber do Senhor a Graça, outra, entender qual o favor e qual a Graça, outra finalmente, saber discernir e explicar o que é. Ela percebe que o que explica vem de Deus e não dela ( Vida, c XVII, 5 )

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