terça-feira, 17 de junho de 2014

EUCARISTIA E BATISMO – 17/06/2014

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Hoje todos se interrogam sobre Cristo, ou para maldizê-lo ou para invocá-lo, ou para persegui-lo ou para amá-lo, e atuar seu amor em seu nome e por ele. Mas nenhum destes, inclusive nenhum dos discípulos, ainda vendo Jesus em sua história, viu-o realmente em sua essência. Começaram a ver Jesus e a compreender seu rosto só a partir da Páscoa.

Já antes da Páscoa, Jesus, à pergunta do discípulo Felipe, que lhe pede mostra-nos o Pai e nos basta, Jesus responde: Felipe, tanto tempo faz que estou convosco e ainda não me conheces? Jesus se deixa conhecer realmente e plenamente pelo que é, à luz do Ressuscitado, Eu estava morto, mas agora estou vivo pelos séculos dos séculos.

Nossa fé proclama que Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. Por isso, a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza.

Essa opção nasce da nossa fé em Jesus Cristo, o Deus feito homem, que fez nosso irmão (Hb 2,11-12). Opção, no entanto, não exclusiva, nem excludente.

Os rostos sofredores dos pobres são rostos sofredores de Cristo. Eles desafiam o núcleo do trabalho da Igreja, da pastoral e de nossas atitudes cristãs. Tudo o que tenha relação com Cristo tem relação com os pobres, e tudo que está relacionado com os pobres clama por Jesus.

Conhecendo a Cristo conhecemos o Pai. Esta é a nossa missão hoje: reconhecer Jesus em cada irmão para caminharmos para o Pai. A fé em si mesma não é uma abdicação da razão, não é uma renúncia a pensar, a raciocinar. A teologia ocupa-se de Deus, de Jesus Cristo e das verdades reveladas, é inteligência da fé, e a fé em Deus é inteligência.

Os discípulos reconhecem Jesus pela tarde, na casa de Emaús. Reconheceram Jesus que toma o pão, abençoa-o, parte-o e o entrega; nesse momento, abriram os olhos, tiveram a intuição, o entendimento de que aquele desconhecido era o Senhor.

Mas naquele mesmo momento Jesus desaparece: eis aqui o que significa ver Jesus, intuí-lo, compreendê-lo, com todo o ser, com a inteligência, a razão e o transporte de amor, mas no momento que o vejo e compreendo, não o posso abraçar, porque Jesus é infinitamente maior do que podemos imaginar.

Deus se fez presente na história do homem através de Jesus de Nazaré. O Deus, o absoluto, manifestou-se e revelou em Jesus Cristo. Pode-se dizer que é possível ver o rosto de Cristo na Eucaristia. É a Eucaristia a continuidade da revelação.

A Eucaristia e o batismo são dois filões que sustentam toda a comunidade de crentes. A comunidade de uma família, de uma aldeia, de uma diocese, de uma nação está fundada nestes dois pilares.

A Igreja está construída em dois sacramentos que são o batismo e a Eucaristia, simbolizados pela efusão da água e do sangue que se produziu no momento em que o lado de Cristo foi traspassado pela lança.

Simbolicamente e misticamente, já o evangelista João viu o nascimento da Igreja neste eflúvio de sangue e água, símbolos do batismo e da Eucaristia.

A Eucaristia é por excelência o mistério da fé, porque nela se encerram todos os sacramentos e tudo o que significa ser cristão. A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Corpus Christi – 16/06/2014
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A festa de Corpus Christi dentro do ano litúrgico cristão se insere no ciclo do tempo comum e faz parte do grupo das quatro grandes festas do Senhor, quer sejam a Santíssima Trindade, Corpus Christi, Sagrado Coração de Jesus e Cristo Rei. São celebradas com o título de solenidade dentro das celebrações eucarísticas.
Diferentemente das demais festas cristológicas e marianas que se relacionam e dependem do núcleo central do mistério pascal, estas solenidades completam e explicitam o mistério pascal da fé cristã.
Muitos cristãos não compreendem o significado teológico desta festa e acaba por atribuir-lhe um significado mágico ou meramente devocional. Além disso, esta festa exige necessariamente a profissão de fé na presença real de Jesus na Eucaristia, que confirma a presença de Deus na vida humana e sua participação na história do mundo.
São belíssimas e formosas as procissões de ruas, que se realizam em nossas comunidades. Algumas são muito famosas e vale a pena visitar e participar destes eventos, que manifestam a grande religiosidade popular. Antes de tudo, manifestam a devoção do povo à Eucaristia, mas revela também a alma mística de nossas comunidades, que quer se comunicar com Deus por meio de seus ritos.
O sentido teológico mais atual desta celebração, com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, é a unidade do povo ao redor do seu Senhor, presente na Eucaristia, sua força na caminhada do povo em marcha e o compromisso com os irmãos mais sofridos de nossa sociedade.
A celebração de Corpus Christi tem assumido dimensões muito solenes na vida litúrgica nos últimos tempos. Algumas vezes, revelam um grande devocionismo e isto deve ser trabalhado com delicadeza. Corre-se o risco de exacerbar os elementos míticos e criar uma relação fascinada entre o fiel e a hóstia sagrada, deteriorando o sentido social e da partilha do ritual eucarístico.
Deve-se cuidar para que o Corpus Christi seja a manifestação da fé do povo que crê num Deus onipresente na história e presente em nossas vidas, profetizando a fraternidade universal e a unidade cósmica.
Cristo está vivo e o seu corpo é uma forma de sua presença ser real entre nós. Isso nos deve levar ao compromisso verdadeiro, pois ninguém revela melhor o Pai, senão o Cristo e não há melhor revelação de Cristo que a vida dos irmãos e irmãs, sobretudo os que sofrem.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
DEUS É AMOR – 16/06/2014
Existem pessoas que vivem profundamente uma religião, mas na verdade essas pessoas não possuem fé.
Faz da religião um ritualismo e um cumprimento de preceitos e conhecem todos os seus dogmas e suas normativas morais, porém não possuem fé, porque não se sentem interpelados por Deus para a mudança de vida tanto em nível pessoal e comunitário.
São pessoas que como diz o profeta Isaías, louvam a Deus com os lábios, mas seus corações estão longe dele, porque na verdade, não compreenderam que Deus é amor, e o coração que se aproxima dele é o coração que é capaz de amar, não com romantismo, mas com compromisso de solidariedade, de busca de libertação, de luta contra a exclusão.
Este sim é o verdadeiro amor, e esta é a verdadeira conversão (vida).
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte.

domingo, 15 de junho de 2014

A SANTÍSSIMA TRINDADE NA VIDA DO CRISTÃO – 15/06/2014

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Com a Solenidade da Santíssima Trindade reiniciamos o Tempo Comum na vida litúrgica da Igreja. É o tempo de refletirmos sobre as coisas cotidianas de nossa vida eclesial, de nossa vida de fé. É o tempo propício, ordinário, para que deixemos Deus agir em nossa história, em nossa caminhada, de fé individual e coletiva.
A Festa da Santíssima Trindade é uma oportunidade para refletirmos sobre a nossa vida de batizados. Fomos batizados no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme a missão confiada por Jesus aos seus apóstolos: Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Cf. Mt 28,19).
A Palavra de Deus hoje nos convida a contemplar nosso Deus que é comunidade de amor, nos convida a contemplar o Mistério da Santíssima Trindade, isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. A Trindade é a origem e o destino do nosso peregrinar. Dela viemos e para ela caminhamos. Enquanto Igreja, somos chamados a ser a imagem da Trindade.
A Trindade será mais entendida na medida em que a humanidade se aproximar da realidade de comunhão tão desejada por Jesus. Jesus viveu sua Vida a levar os homens para a comunhão com o Pai e a comunhão entre si. Quanto mais nos esforçarmos por viver a comunhão entre nós (na família, na comunidade) mais nos aproximaremos da Trindade.
Ouvimos na segunda leitura, a saudação de São Paulo a comunidade de Corinto: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós. Esta saudação nos revela que a Trindade nos confere a plenitude dos dons e dos bens necessários para a nossa vida: a graça, o amor e a comunhão.
Na primeira leitura encontramos a figura de Moisés, numa profunda experiência de Deus. Nesta Experiência de Deus, Moisés descobre que Deus é misericordioso e clemente, pronto para nos perdoar e decidido até mesmo a caminhar conosco na história.
A oração de Moisés pode nos inspirar em nossas orações. Moisés não pede a Deus que resolva os seus problemas, mas que aceite fazer a caminhada com ele. Somente quem deseja trilhar o caminho do bem quer ter Deus como amigo de caminhada.
Nesta festa da Santíssima Trindade não nos esqueçamos: Trindade não se explica, se experiencia. Quanto mais trabalharmos pelo aperfeiçoamento nosso e dos irmãos, quanto mais cultivamos a concórdia e vivemos na verdadeira paz, mais próximos estaremos da comunhão que há entre o Pai, o Filho e Espírito Santo.
Esta Trindade que é mistério de comunhão; comunhão do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, no mais profundo do seu Mistério é comunhão; é partilha de Pessoas que se amam, que se espelham uma na outra. Nós fomos criados à imagem e semelhança deste Deus comunhão. Isso significa que somos feitos para a comunhão. O Deus comunhão, veio fazer morada em nós, desde o nosso Batismo. A Trindade habita em nós.
A Santíssima Trindade nos convida e nos impulsiona a viver a comunhão entre nós, nos impulsiona a vivenciar a espiritualidade da comunhão. Espiritualidade da comunhão que significa, em primeiro lugar, ter os olhos do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz dever ser percebida nos rosto dos irmãos que estão ao nosso redor.
Por isso, vivamos nossa vocação de batizados dentro da comunidade: a Igreja, Corpo Místico de Cristo, que se empenha na construção de um mundo mais humano e solidário, aonde a justiça e a paz se abraçarão, e o primado da justiça e da solidariedade façam o amor reinar.

DOM Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte




Antropologia Teológica da Salvação – 15/06/2014

A Vida e a ação de Jesus mostram, claramente, que a salvação que Ele realiza em nome de Deus não é tirar-nos de nossa humanidade mas, antes, tirar-nos daquilo que nos impede de sermos humanos. É nesse sentido que podemos entender, por exemplos, os relatos evangélicos que narram as curas e os exorcismos operados por Jesus: são gestos salvadores que devolvem às pessoas a plena capacidade de humanidade.

Nesse sentido fica mais fácil entender que a salvação não é apenas conserto da natureza corrompida pelo pecado, mas muito mais que isso, ela é dom, acréscimo, dádiva, graça, excesso, abundância. Não se trata de refazer o que o humano foi, mais de dar realização plena às suas potencialidades, isto é, fazer com que o humano seja aquilo que é chamado a ser. Por isso, a salvação aponta muito mais para o futuro que para o passado, para o que podemos ser e seremos, muito mais que para o que fomos.

Na teologia e no pensamento moderno, insiste-se no fato de que o homem não tem uma alma e um corpo, mas é alma e corpo. E, na medida em que ambos são corpo e alma do homem, ele é uno: essa unidade deveria ser o aspecto principal. Somente a partir dela é possível à distinção desses dois aspectos ou dimensão, momentos, nunca partes, de seu ser.
O homem é corpo, ou seja, existe no espaço e no tempo, é parte deste cosmos, encaminha-se para a morte; é alma transcende os condicionamentos deste mundo, é imortal, e, em última análise, tudo isso tem sentido porque o homem é ser para Deus, é relacionado radicalmente a Ele.

Há no homem uma dimensão irredutível ao material e ao mundano, ontologicamente distinta da realidade corporal. A fé cristã mantém esta concepção como algo a que não se pode renunciar, porque só assim pode ter sentido a concepção do homem criado à imagem de Deus, chamado à comunhão com Deus em cristo e à conformidade com o ressuscitado.          

É preciso uma nova compreensão antropológica que se baseie, inclusive, em Jesus de Nazaré que, para a nossa fé, é revelador do ser de Deus, mas também do ser humano. Com efeito, é Jesus que nos revela o que é humano, ou para dizer de outra maneira, o que significa ser humano neste mundo. A compreensão do ser da humanidade, neste sentido, não parte de minha experiência de humanidade, uma experiência fragmentada e incompleta, mas sim da vida de Jesus, o novo Adão, isto é, o fundador da nova humanidade e, por isso, revelador do ser humano.

Claro que a formulação antropológica da teologia deve levar em conta os avanços da ciência, sobretudo as chamadas ciências humanas, que ajudam a compreender o significado da humanidade. Hoje, existem multiplicas antropologias, isto é, formas de compreensão do significado do humano no mundo. A antropologia neoliberal, que afirma que o ser humano é o consumo, não é a única antropologia possível nos dias de hoje, e por isso pode ser questionada. Existem, também, as antropologias indígenas que afirmam que o ser humano se realiza na festa e na dança, e não no sucesso ou no consumo.

Mas o discurso antropológico da teologia não pode ser simplesmente funcionalista ou ideológico. Tem de ser teológico, o que significa partir da Revelação. È preciso colocar a questão antropológica aos pés de Jesus, e dele aprender o que significa a humanidade que partilhamos. Não posso escolher uma antropologia segundo minhas convicções ou vontades pessoais, mas sim ver qual ou quais antropologias resistem à critica de Jesus.

Claro que as ciências humanas podem ajudar-nos a compreender o que Jesus nos revela sobre nossa humanidade, e assim auxiliar-nos a distinguir aquilo que constrói o humano daquilo que não o constrói. Mas o cristão não perde de vista que a Revelação, de Deus e do humano, vem de Jesus. Aqui, desnecessário dizê-lo, reside toda a importância da cristologia: o cruzamento da história de Deus com a história humana, indicando o caminho da salvação.

Dom Eduardo Rocha Quintella

Bispo Diocese Belo Horizonte

sábado, 14 de junho de 2014

Solenidade da Santíssima Trindade – 14/06/2014
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Com o fim do Tempo Pascal, na solenidade de Pentecostes, a Igreja entoa um grande e solene louvor à Santíssima Trindade, celebrando numa síntese a plenitude do Mistério Deus - Amor. Proclama que, desde a Criação do universo até os fins dos tempos, a história é dirigida pelo Deus Uno e Trino, comunhão perfeita do Pai com o Filho e o Espírito Santo.
A expressão de um Deus Trindade já está presente na experiência histórica de Jesus, que diversas vezes falou a respeito de sua união com o Pai, pela ação do Espírito Santo. Somente em Jesus, Verbo Encarnado, é que podemos falar de uma explicitação trinitária de Deus, pois foi nele que o Mistério da Trindade foi revelado de modo pleno à humanidade.
O Deus Trino, que na tradição do Antigo Testamento sempre apareceu de maneira velada, recebe em Jesus Cristo sua mais completa tradução: desde sempre Deus é Trindade e somente Nela podemos compreender a plenitude da bondade de Deus.
A vida nasce da comunhão com Deus. Comunhão não é somente receber a Hóstia Santa. É levar adiante a vida que recebemos no Batismo e aprofundamos com os demais sacramentos e com nosso dia-a-dia. Comungar é amar e saber acolher o amor. Cantamos: Onde há amor e caridade, Deus aí está. Essa expressão de amor se estende ao outro.
O mistério da Santíssima Trindade é o mistério da revelação de Deus aos homens. À inteligência humana custa a compreender, mas a fé gera no crentes sentimentos de gratidão e de contemplação diante da grandeza do mistério: um Deus que nos mostra a Sua ternura, o Seu amor, que nos concede a salvação, que está sempre presente no meio de nós.
É preciso falar das consequências de se crer num Deus Trindade. O Deus cristão é o Deus Comunhão de Amor. Crer nesta realidade significa professar nossa esperança na plenitude da História, aceitação e realização do pleno ideal de comunhão entre os seres humanos.
Significa aceitar as diferenças entre as pessoas humanas, em todos os aspectos, mas acreditar num sonho comum de felicidade plena. Significa professar que no Deus Trino está a chave para a superação dos egoísmos humanos, geradores da violência e exclusão, e vislumbrar uma sociedade, onde a comunhão dos diferentes resulta numa harmonia geradora de Vida.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

sexta-feira, 13 de junho de 2014

DOM DA PROFECIA – 13/06/2014
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Temos todos a mesma vocação de profetas, uma vez que todos deveríamos falar em nome de Deus ou deixar Deus falar por nossa boca. É nisso que consiste a verdadeira profecia cristã.
Deus pode falar até pela boca de alguém que nem seja cristão. Pela boca daqueles que se preocupam com a manutenção da justiça e da paz. Ou pela boca de quem não se conforma com os abusos dos poderosos e com a opressão contra os pequeninos.
A profecia pode florescer nos lábios daqueles que zelam pela promoção da pessoa humana, pela dignidade da mulher, pelos direitos dos mais desprotegidos, pela segurança daqueles que pretendem viver e professar sua fé em plena liberdade e à luz do sol.
Esse é o anúncio e a proclamação do Reino de Deus, que Cristo veio implantar em nossos corações. Nunca é demais repetir que tal profecia pode até vir de pessoa não cristã. Ela pode ser leiga ou mesmo, profana; mas, se tiver como ponto de referência a promoção do ser humano, nós precisamos respeitá-la.
O verdadeiro profeta fala em nome de Deus, não em nome de si mesmo, e prioriza o ser humano. Portanto, a profecia existe também hoje e, às vezes, até fora da própria Igreja. Se forem profecias a serviço da verdade e da justiça, nós; temos a obrigação de escutá-las.
Por isso, cuidado para não sermos enganados por vozes abusivas. E cuidado também para não deixarmos passar despercebido o Sopro que vem do Alto.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

quinta-feira, 12 de junho de 2014

DISCÍPULO DO REINO. 12/08/2014
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Deus propôs-nos um projeto de libertação e de salvação que conduz à inauguração de um mundo novo, de felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta têm de testemunhá-la diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que o Reino se torne uma realidade.
Para mim, ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente, que me obriga a testemunhar o Reino, mesmo em ambientes adversos, ou é um caminho, instalado, cômodo, de quem se sente em regra com Deus porque vai à missa ao domingo e cumpre alguns ritos que a Igreja propõe.
Para aqueles com quem lido todos os dias, sou uma personagem insípida, incaracterística, instalada numa mediocridade cinzenta, ou sou uma nota de alegria, de entusiasmo, de otimismo, de esperança numa vida nova vivida ao jeito do Evangelho, ao jeito do Reino.
No meio do egoísmo, do desespero, do sem sentido que caracteriza a vida de tantos dos meus irmãos, eu dou um testemunho de um mundo novo de amor e de esperança.
Ser cristão é também ser uma luz acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade. Para os que vivem no sofrimento, na dúvida, no erro, para os que vivem de olhos no chão, eu sou a luz que aponta para o mais além e para a realidade libertadora do Reino.
É Deus que é a luz e que, através da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de libertação e de vida nova ao mundo. O discípulo não deve, pois, preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o coração dos homens para Deus e para o Reino.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

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