quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Liturgia do Advento


Vem Senhor Jesus

O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor. Ao celebrar anualmente a liturgia de Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: participando da longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua segunda Vinda.

O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor, Jesus, que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história.

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão. Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza.

Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo, mas que só se consumará definitivamente na parusia (volta) do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é Marana tha. Vem Senhor Jesus!

Nesta época de pressa e agitação, somos tentados a comprar o espírito natalino. Neste tempo, resistimos essa tentação e escolhemos, em vez disso, estar em paz com quem somos e com onde estamos nessa jornada. Deixaremos que esse tempo nos prepare, e ouviremos o chamado de Deus para sermos aqueles que preparam o mundo.

O Natal se aproxima. Nossos corações devem estar em constante preparação, para que o Cristo possa nos ajudar a reconstruir uma nova sociedade alicerçada na fraternidade. Alimentados pela Palavra e comprometidos com a Eucaristia, sejamos missionários da alegria e da misericórdia, para que Nele todos tenham vida plena.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

Espiritualidade do Advento


Tempo Escatológico Cristão

Advento significa a presença iniciada do próprio Deus. Por isso, recorda-nos duas coisas: primeiro que a presença de Deus no mundo já começou e que ele já está presente de uma maneira oculta; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda que não seja total, mas está em processo de crescimento e amadurecimento. É um tempo escatológico. É o já ainda não da salvação.

Na Antigüidade, era usada para designar a presença de um rei ou senhor, ou também do deus ao qual se presta culto e que presenteia seus fiéis no tempo de sua parusia.

A palavra Advento; este termo não significa espera, como poderia se supor, mas é a tradução da palavra grega parusia, que significa presença, ou melhor, chegada, quer dizer, presença iniciada.

Pode ser uma boa experiência deste tempo, reunidos em comunidade, em família, partilhar juntos, as luzes que cada um de nós temos acessas, pessoal ou comunitariamente.

Na esperança de um Deus que continua vindo e agindo em nosso mundo, somos convidados a aliviar nosso coração daquilo que nos mascara e desumaniza, para ter um coração mais fraterno e solidário.

Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo, uma terra nova. Devemos saber ver a salvação de Deus, cobrir-nos como manto da justiça e revestir-nos do esplendor da glória do Senhor.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ADVENTO:


TEMPO DE ENSINAMENTO DA IGREJA


Esse encontro com a santidade de Deus, expressão máxima da Sua transcendência, é possível a todos em Cristo ressuscitado.

Com a Liturgia, da Festa de Cristo-Rei e o início do Advento, a igreja, nos reconduz ao dinamismo fundamental da fé cristã: o desejo de se encontrar plenamente com Deus. Em Jesus Cristo.

A esperança é a virtude espontânea do Advento e aquela que melhor resume os mais profundos sentimentos de toda a Igreja. Uma esperança alicerçada na fé-confiança da bondade de Deus nosso Pai. Esperança que nos faz desejar uma maior intimidade com Deus na mais profunda identificação com Jesus Cristo.

Esse encontro com a santidade de Deus, expressão máxima da Sua transcendência, é possível a todos em Cristo ressuscitado. Ser seu discípulo é seguí-l’O nesse caminho que nos leva à Vida; mergulhar n’Ele é experimentar a santidade; anunciá-l’O é algo que devemos a todos os homens, nossos irmãos; percorrer esse caminho, em Igreja, abandonando-se à sua fecundidade sacramental, é exigência da nossa fidelidade.

Resta-nos ir ao Seu encontro, mergulhar no Seu amor, deixar-se transformar pela vida que nos é dada, e o mundo será transformado. Esta é a esperança da Igreja, neste início do Advento, reavivada pela esperança: desejar que todos os seus membros mergulhem, mais profundamente, nessa plenitude de vida que nos foi dada em Jesus Cristo, se deixem invadir pela esperança e pela alegria e contribuam, pelo seu testemunho evangelizador, a humanização da sociedade.

É o homem, considerado na sua unidade e na sua totalidade, o homem, corpo e alma, coração e consciência, pensamento e vontade que constituirá o eixo de todo o ensinamento da Igreja: Nenhuma ambição terrestre move a Igreja; ela visa um único objetivo: continuar, conduzida pelo Espírito Santo, à obra do próprio Cristo.


Conceber a missão da Igreja como diaconia, isto é, como serviço da comunidade humana, é perspectiva exigente da Igreja cristã. Essa atitude levar-nos-á a fazer tudo por amor, com a humildade de quem serve a não buscar nenhuma forma de poder ou de domínio, a respeitar as diferenças sem enfraquecer a firmeza da verdade, a reconhecer os contributos positivos que todos os homens retos podem trazer. Humanizar significa valorizar tudo o que de positivo existe, acreditando que a plenitude desses valores só se encontra em Jesus Cristo.

O Advento é tempo de esperança. Para a Igreja, neste Advento, a esperança está viva e é muito concreta: ela deseja ser o sacramento de Jesus Cristo para o anúncio novo da esperança na Igreja.


+Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo   Horizonte

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO - Ano B - (Marcos 13, 33-37) – 27/11/2011


Estejam preparados, pois Deus está próximo.

Começa hoje um novo ano litúrgico. A Igreja pretende fazer-nos viver no decurso de um ano os acontecimentos da vida de Jesus. Eles são para nós mistérios e fontes de graça. São motivo de reflexão e impelem a nossa vida para o espiritual na vida cristã que, vivida aqui na terra, aponta para mais além, para o Transcendente.

Iniciando, o ciclo anual de nossas celebrações nos ajuda a reviver toda a história da salvação. De modo que o cristão que participa com assiduidade da assembléia dominical vai crescendo sempre no conhecimento de Jesus Cristo.

Este domingo nos deixa uma reflexão importante sobre a presença permanente de Deus como sentido último de nossa existência e atuação em cada momento, principalmente no testemunho público e social de nossa fé, perante o mundo cada dia mais secularizado.

Essa presença é de alegria e esperança; é a presença deste Deus que se alegra com nosso compromisso evangelizador e nosso engajamento no encontro com o Senhor que vem carregando as sementes da Esperança cristã. As comunidades cristãs são já um sinal dessa nova realidade. Esses são os sinais da presença de Deus.

O Advento é nossa oportunidade de vigiarmos e estarmos atentos para descobrir os sinais da verdadeira presença de Deus e celebrá-los em nossa liturgia e em nossa oração.

Vigiemos, portanto, para que não vá acontecer que Deus esteja ao nosso lado ou em nossa própria vida e nos passe despercebido. Vigiar supõe estarmos vivos e atentos aos grandes e pequenos acontecimentos que têm lugar ao nosso redor.

O Advento é apelo evangélico que provoca a conversão à santidade, quer na Igreja, quer na vida familiar, profissional e social. A Igreja, que ao longo deste ano nos recordou o valor inestimável do mistério da Eucaristia, por ela nos recorda hoje o caminho para a santidade e para a espera alegre do Senhor que vem.

A liturgia não existe por acaso. Cada tempo litúrgico é repleto de riquezas que nos levam a Deus. Com o Advento não é diferente. A Igreja nos convida a buscar esta sintonia com as coisas do alto, desprendendo-nos do mundo e caminhando com fé e alegria pelo caminho da oração.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

terça-feira, 22 de novembro de 2011

REINO DE DEUS


A Igreja vive da fé que brota da evangelização

A Igreja, baseada na Palavra de Deus, é esta: todos nós e tudo o que existe se encaminha para o encontro com Jesus Cristo, Salvador e Senhor, para a manifestação plena da redenção. E isso significa a participação no Reino de Deus em sua plenitude. O título de Cristo-Rei é tomado da linguagem humana para nos ajudar a compreender algo do que é o Reino de Deus e de como reina o Cristo-Senhor.

A Boa Nova da salvação veio ao mundo, por iniciativa amorosa de Deus Pai e do Espírito Santo, pelo envio a nós da Palavra eterna, o Filho Amado. A chegada do Messias foi anunciada pelos Profetas como um evento esperançoso e de grande alegria para toda a humanidade, como recordamos no Advento.

Jesus anunciou a chegada do Reino de Deus como o maior bem para o homem, em função do qual vale a pena investir e arriscar tudo na vida. Enviando seus discípulos ao mundo, Ele os encarregou da proclamação desta Boa Nova a todos os povos. Assim, a Igreja fez ao longo dos séculos e vai continuar a fazer também no presente e no futuro.

Todos os batizados são beneficiados por este belo anúncio; a Igreja vive da fé que brota da evangelização e caminha na esperança da plena realização das promessas de Deus. Ao mesmo tempo, esta não é uma obra para poucos: todos os batizados são, por graça de Deus, discípulos e missionários de Jesus Cristo. Nem todos o fazem do mesmo modo, mas todos precisam sentir-se envolvidos com isso.

A Igreja e à humanidade; os leigos, vivendo e testemunhando sua fé, ajudam a transformar a cultura e as estruturas do convívio humano, para que o bem do Evangelho possa ser acolhido por todos e trazer frutos bons; os missionários dirigem-se aos povos e, entre alegrias e sacrifícios, anunciam também a eles que o Reino de Deus chegou e é um bem para eles.

Os missionários do Reino de Deus, enviados para o meio do mundo para testemunhar e anunciar, de muitas maneiras, que o Reino de Deus já chegou; aderir a ele e viver conforme o jeito do reino é um grande bem para o mundo, a melhor coisa que pode acontecer.

Isso pode parecer sonho distante para quem não tem fé. Mas essa é a esperança dos cristãos, bem fundada na Palavra de Deus. O Reino de Deus é o dom maior, o dom completo de Deus ao homem. Não é sonho distante, pois o Filho de Deus veio ao encontro de todo homem e, com ele, o Reino de Deus já irrompeu nesse nosso mundo. Acolher o Reino de Deus e entrar nele requer mudança de vida, é novidade boa, é a melhor escolha para o homem.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

sábado, 19 de novembro de 2011

Igreja: Unidade na Diversidade

Igreja unidade dos fiéis constituindo um só corpo em Cristo

Deus age pela unidade, mas também pelas Diversidades. Isso pode ser observado na criação. Deus atrai a Si pessoas de todos os ambientes, talentos, temperamentos. No mundo humano, a variação humana é freqüentemente considerada um problema a superar. Deus a considera uma oportunidade de fazer uso de todo o espectro humano para levar Sua mensagem ao mundo.

O orgulho está no centro da desunião, enquanto a humildade está no centro da reconciliação. A gentileza ou mansidão é essencial para a unidade da igreja. Sendo o oposto da auto-afirmação, a mansidão não reage diante das ofensas. Paciência significa resistência diante da aflição, recusa de vingar as injustiças, e não abrir mão da esperança de reparar relacionamentos interrompidos.

Suportar uns aos outros envolve o entendimento da outra pessoa e disposição para se perdoarem e aceitar-se mutuamente. Evidentemente, todas essas graças têm suas raízes no amor, e é esta prática ativa do amor que preserva as relações e promove paz e unidade na comunidade cristã.

Nosso corpo compõe-se de diferentes membros, que realizam diferentes funções. Mas tudo para o crescimento e melhoramento do corpo. Como indivíduos, cada um de nós cuida de seus próprios interesses. O eu é nossa prioridade, mas quando nos tornamos cristãos, devemos ter um alvo: glorificar a Deus. Trabalhando juntos para alcançar um alvo, cresceremos.

Quando nos tornamos cristãos, Cristo deu significado à nossa vida: Sua glorificação e a edificação de Seu corpo, a igreja. Embora sempre sejamos pessoas diferentes, temos sempre diferentes partes a desempenhar porque estamos trabalhando para alcançar o mesmo alvo. É assim que Cristo pode levar-nos à unidade na diversidade.

Deus promoveu a unidade do corpo cristão. Um Deus, por meio de um Cristo nos redimiu do pecado, deu-nos uma fé, nos regenerou por um Espírito, nos fez membros de um corpo por meio de um batismo, e nos deu uma esperança eterna. Toda a Divindade está envolvida na unidade da igreja. Esse tema está em harmonia com o espírito da epístola, que freqüentemente enfatiza o papel da Trindade na história da redenção.

O livro de Efésios foi escrito por Paulo enquanto era prisioneiro em Roma aguardando julgamento. Ele havia fundado a igreja de Éfeso em sua terceira viagem missionária, três a cinco anos antes. Visto que não podia visitar novamente a igreja de Éfeso, escreveu para eles uma carta a fim de fortalecê-los e confirmá-los na graça de Deus e no evangelho de Cristo, bem como para encorajá-los a realizar suas obras de serviço e santidade em resposta à graça salvadora de Deus.

O Espírito Santo promoveu a unidade na igreja formando um corpo, habitando na igreja universal e sendo a esperança da redenção futura. O Filho promoveu a unidade na igreja sendo a cabeça da igreja, o objeto de fé de todos os crentes, e Aquele em quem todos os crentes são identificados. O Pai promoveu a unidade da igreja sendo o Pai de todos. O soberano sobre todos, vivendo através de todos, e habitando em todos os crentes.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

Oração Contemplativa


Caminho de Cura Interior

O ser humano não pode ser curado em seu interior através da mera disciplina. O lidar com os pensamentos e os exercícios concretos é um bom auxilio para as paixões se aquietarem e a alma tornar saudável. Mas só a contemplação produz a verdadeira cura. Assim experimentaram os monges e assim deveremos experimentar em nossa vida.

A Contemplação é a oração pura, é a oração continuada, a oração acima dos pensamentos e sentimentos, a oração de união com Deus. A Oração contemplativa é o presente mais belo que Deus nos agraciou. A dignidade humana consiste em unir-se a Deus através da Oração. Existe afinal algo que seja melhor que um tratamento íntimo com Deus e que seja mais elevado que viver inteiramente em sua presença. A oração é a ascensão do espírito para Deus.

O Espírito Santo condutor de nossa oração tem compaixão de nossas fraquezas e freqüentemente vem em nosso auxílio, mesmo que nós não sejamos dignos dele. Se ele nos procura, enquanto lhe oramos por amor à verdade, ele nos inunda e nos ajuda a nos desprendermos de todos os raciocínios e pensamentos que nos mantém presos a nós mesmos, conduzindo-nos assim à oração espiritual.

Quando verdadeiramente oramos, nasce em nós um profundo sentimento de confiança a nos revelar todo o sentido da criação. A oração é o comportamento que corresponde à dignidade do espírito; ou, melhor ainda, é a sua mais nobre e apropriada ação.

É através da oração de contemplação que alcançamos o estado da mais profunda paz. Descobrimos em nós um espaço do puro calar. E é ai que Deus mesmo habita em nós. E este espaço, que é o espaço de silêncio em nós: chama-se Lugar de Deus ou Visão de Paz.

É através da oração que o homem vê sua própria luz. E é por esta luz que ele descobre a sua própria natureza, que é toda reluzente e tem parte na luz de Deus. Neste lugar de Deus, no lugar da paz no interior da alma, tudo é silêncio e ai só Deus habita. Ai tudo é curado. É também ai que, no amor de Deus, todas as feridas que a vida possa nos ter infligido são cicatrizadas.

Ai desaparecem todos os pensamentos em relação às pessoas que nos feriram. Nossas paixões não têm ai nenhum acesso; ai também os homens não podem atingir-nos com suas expectativas, opiniões e preconceitos. Pois é ai que nos unimos a Deus, mergulhados em sua luz, em sua paz, em seu amor. Esta é a meta do caminho Espiritual.

Somente quando sentirmos que a realidade é propriamente mais profunda, isto é, que é Deus a realidade mais profunda, nos libertaremos de nossos problemas. É através da oração que podemos mergulhar no espaço do verdadeiro silêncio; silêncio em que tudo está salvo, curado e integrado; silêncio no qual nos é dado sentir uma profunda paz, apesar de todas as feridas e humilhações.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO 20/11/2011 – Ano A - (Mateus25, 31-46)


Assentar-se-á em seu trono e separará uns dos outros

Chegamos ao final de mais um ano litúrgico. Hoje festejamos Cristo, Rei do Universo. Proclamamos em nossas liturgias que Jesus é Rei, que seu Reino não é desse mundo, mas convive conosco, especialmente no relacionamento que dispensamos a quem está debilitado na vida.

Durante trinta e três domingos fomos exortados pelo evangelista Mateus a aprender e compreender sobre o que vem a ser a justiça de Deus. E, fechando este ano litúrgico, especialmente hoje, Mateus vem nos mostrar que no reino de Jesus deve prevalecer a Justiça, a Vida e a Liberdade, direitos inalienáveis dos filhos e filhas de Deus.

Porém, a garantia desses direitos depende de cada um de nós. Para tê-los é preciso aceitar o reino inaugurado por Jesus, e colocar-se como instrumento de antecipação desse reino no meio de nós. Só assim alcançaremos o merecimento de ver Jesus em sua majestade e realeza.

A descrição do Juízo Final é a conclusão do Sermão Escatológico de Mateus 24-25, e o último ensinamento de Jesus conforme o Evangelho de Mateus. Isso já mostra sua importância. O texto lido hoje não é um texto apocalíptico como alguns afirmam. Também não é uma parábola, como muitos a consideram; pois seu conteúdo não é uma imagem. É uma exortação profética à conversão, em forma de uma cena apocalíptica. O texto mostra as três imagens de Jesus: Pastor, Rei e Juiz.

Neste Domingo, celebrando a realeza de Jesus, ressuscitado pela justiça e misericórdia de Deus, somos julgados pelos pobres mais pequeninos. É possível proclamar a realeza de Cristo enquanto seus prediletos são excluídos da liberdade e do direito à vida digna.

O julgamento será a manifestação daquilo que fazemos a Cristo neste mundo, na pessoa do doente, do faminto, do sedento, do preso. Não haverá surpresa para quem reconhece Jesus presente, na pessoa do necessitado. Essa é a religião pura e sem mancha, a base do julgamento final, quando Jesus Cristo se manifestará como Senhor e como Rei do Universo.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

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