A GRAÇA SALVADORA DO PAI – 26/06/2014
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Deus age pela unidade, mas também pelas variedades. Isso pode ser observado na criação. Deus atrai a Si pessoas de todos os ambientes, talentos, temperamentos. No mundo humano, a variação humana é frequentemente considerada um problema a superar. Deus a considera uma oportunidade de fazer uso de todo o espectro humano para levar Sua mensagem ao mundo.
O orgulho está no centro da desunião, enquanto a humildade está no centro da reconciliação (Filip. 2:2-8). A gentileza ou mansidão é essencial para a unidade da igreja. Sendo o oposto da autoafirmação, a mansidão não reage diante das ofensas. Paciência significa resistência diante da aflição, recusa de vingar as injustiças, e não abrir mão da esperança de reparar relacionamentos interrompidos.
Suportar uns aos outros envolve o entendimento da outra pessoa e disposição para se perdoarem e aceitar-se mutuamente. Evidentemente, todas essas graças têm suas raízes no amor, e é esta prática ativa do amor que preserva as relações e promove paz e unidade na comunidade cristã e além.
Nosso corpo compõe-se de diferentes partes que realizam diferentes funções. Mas tudo para o crescimento e melhoramento do corpo. Como indivíduos, cada um de nós cuida de seus próprios interesses. O eu é nossa prioridade, mas quando nos tornamos cristãos, devemos ter um alvo: glorificar a Deus. Trabalhando juntos para alcançar um alvo, cresceremos.
Quando nos tornamos cristãos, Cristo deu significado à nossa vida: Sua glorificação e a edificação de Seu corpo, a igreja. Embora sempre sejamos pessoas diferentes, temos sempre diferentes partes a desempenhar porque estamos trabalhando para alcançar o mesmo alvo. É assim que Cristo pode levar-nos à unidade na diversidade.
Deus ordenou a unidade do corpo cristão. Um Deus, por meio de um Cristo nos redimiu do pecado, deu-nos uma fé, nos regenerou por um Espírito, nos fez membros de um corpo por meio de um batismo, e nos deu uma esperança eterna. Toda a Divindade está envolvida na unidade da igreja. Esse tema está em harmonia com o espírito da epístola, que frequentemente enfatiza o papel da Trindade na história da redenção.
O livro de Efésios foi escrito por Paulo enquanto era prisioneiro em Roma aguardando julgamento. Ele havia fundado a igreja de Éfeso em sua terceira viagem missionária, três a cinco anos antes. Visto que não podia visitar novamente a igreja de Éfeso, escreveu para eles uma carta a fim de fortalecê-los e confirmá-los na graça de Deus e no evangelho de Cristo, bem como para encorajá-los a realizar suas obras de serviço e santidade em resposta à graça salvadora de Deus.
O Espírito Santo promoveu a unidade na igreja formando um corpo, habitando na igreja universal e sendo a esperança da redenção futura. O Filho promoveu a unidade na igreja sendo a cabeça da igreja, o objeto de fé de todos os crentes, e Aquele em quem todos os crentes são identificados.
O Pai promoveu a unidade da igreja sendo o Pai de todos, o soberano sobre todos, vivendo através de todos, e habitando em todos os crentes.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
IGREJA MISSIONÁRIA – 25/06/2014
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No próximo domingo, dia 29 de junho, a Igreja celebra a Solenidade de Pedro e Paulo. Duas colunas da Igreja. O que podemos destacar destes dois grandes apóstolos, entre tantas características, obras e testemunhos de cada um deles. Pedro e Paulo são diferentes por natureza, mas idênticos no amor a Cristo e à Igreja.
São Paulo foi, sem dúvida, o grande propagador do Evangelho dentre as nações, para a vivência do Reino de Deus. Contudo, este fecundo apostolado só foi possível devido à sua fidelidade à sua missão.
Do encontro com Jesus, Paulo se transforma no apóstolo que irá testemunhar Cristo até os extremos da terra, tornando realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes, mas complementares.
As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja, que diante de tantas hostilidades que a sociedade da época criou com relação ao cristianismo, encheram-se de coragem e, de modo determinado, tudo enfrentaram por causa do Evangelho.
Esses dois carismas continuam se complementando até hoje na Igreja: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária, para que todos os fiéis conservem esta fidelidade a Cristo e lutem pelos valores do Evangelho.
A Liturgia desta solenidade nos chama a sermos presença ativa, assumindo a nossa responsabilidade na Igreja, para que sejamos sempre mais comunhão no interior dela e sejamos sempre mais missão no mundo de hoje.
Hoje é um dia que nos faz sentir-nos chamados, na caridade e no empenho para com tantos famintos de pão e de Deus, aos quais devemos chegar como um sinal concreto de um Deus que é amor para todos os seus filhos.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
Caminho de Cura Interior - 23/06/2014
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O ser humano não pode ser curado em seu interior através da mera disciplina. O lidar com os pensamentos e os exercícios concretos é um bom auxilio para as paixões se aquietarem e a alma tornar saudável. Mas só a contemplação produz a verdadeira cura. Assim experimentaram os monges e assim deveremos experimentar em nossa vida.
A Contemplação é a oração pura, é a oração continuada, a oração acima dos pensamentos e sentimentos, a oração de união com Deus. A Oração contemplativa é o presente mais belo que Deus nos agraciou. A dignidade humana consiste em unir-se a Deus através da Oração. Existe afinal algo que seja melhor que um tratamento íntimo com Deus e que seja mais elevado que viver inteiramente em sua presença. A oração é a ascensão do espírito para Deus.
O Espírito Santo condutor de nossa oração tem compaixão de nossas fraquezas e frequentemente vem em nosso auxílio, mesmo que nós não sejamos dignos dele. Se ele nos procura, enquanto lhe oramos por amor à verdade, ele nos inunda e nos ajuda a nos desprendermos de todos os raciocínios e pensamentos que nos mantém presos a nós mesmos, conduzindo-nos assim à oração espiritual.
Quando verdadeiramente oramos, nasce em nós um profundo sentimento de confiança a nos revelar todo o sentido da criação. A oração é o comportamento que corresponde à dignidade do espírito; ou, melhor ainda, é a sua mais nobre e apropriada ação.
É através da oração de contemplação que alcançamos o estado da mais profunda paz. Descobrimos em nós um espaço do puro calar. E é ai que Deus mesmo habita em nós. E este espaço, que é o espaço de silêncio em nós: chama-se Lugar de Deus ou Visão de Paz.
É através da oração que o homem vê sua própria luz. E é por esta luz que ele descobre a sua própria natureza, que é toda reluzente e tem parte na luz de Deus. Neste lugar de Deus, no lugar da paz no interior da alma, tudo é silêncio e ai só Deus habita. Ai tudo é curado. É também ai que, no amor de Deus, todas as feridas que a vida possa nos ter infligido são cicatrizadas.
Ai desaparecem todos os pensamentos em relação às pessoas que nos feriram. Nossas paixões não têm ai nenhum acesso; ai também os homens não podem atingir-nos com suas expectativas, opiniões e preconceitos. Pois é ai que nos unimos a Deus, mergulhados em sua luz, em sua paz, em seu amor. Esta é a meta do caminho Espiritual.
Somente quando sentirmos que a realidade é propriamente mais profunda, isto é, que é Deus a realidade mais profunda, nos libertaremos de nossos problemas. É através da oração que podemos mergulhar no espaço do verdadeiro silêncio; silêncio em que tudo está salvo, curado e integrado; silêncio no qual nos é dado sentir uma profunda paz, apesar de todas as feridas e humilhações.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
A EUCARISTIA E A INTEGRIDADE DO HOMEM – 22/06/2014
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A vida litúrgica tem, igualmente, uma visão particular do homem, visão que parece vir de encontro ao homem de nosso tempo e a suas necessidades. Ele herdou de uma tradição teológica plurissecular a angústia do próprio ser dividido em alma e corpo, espírito e matéria. Herdou o dilema de ter que escolher entre esses elementos, posto que, para ele, a esfera propriamente espiritual é incompreensível. Em uma tradição litúrgica o homem participa como homem integral no encontro com Deus.
Ele não fecha os olhos, segundo o modelo da piedade ocidental, para buscar um encontro com Deus que seja desmaterializado (e que no final nada mais é do que uma relação psicológica). Tal defesa da natureza unitária do homem não poderia talvez for aceita por uma humanidade que já deixou, e ninguém pode repreendê-la por isso, de pensar com as categorias antropológicas do platonismo e do aristotelismo.
Mas, além de defender a própria integralidade, o homem reencontra na eucaristia outra qualidade fundamental, cuja perda acabou por criar uma crise real em sua consciência e em sua vida. A Eucaristia não é o lugar do simples encontro de cada indivíduo com Deus. Ela é, na sua essência, uma manifestação social e eclesial, e como tal é conservada, mesmo que simbolicamente.
Talvez não haja nenhuma outra manifestação da existência eclesial em que os cristãos cessem de maneira análoga de operar como indivíduos para transformar-se em Igreja. Na Eucaristia a oração, a fé, o amor, a caridade (todas as coisas que os fiéis realizam por própria conta) deixam de ser a manifestação de um eu e se fazem manifestações de um nós, enquanto que toda a relação do homem com Deus se torna uma relação de Deus com o seu povo, com a sua Igreja.
A eucaristia não é somente comunhão de cada indivíduo com Cristo, mas é, em primeiro lugar, comunhão dos fiéis entre si e unidade no corpo de Cristo, não muitos corpos, mas um só corpo, como observa João Crisóstomo fielmente interpretando a Paulo. Assim também esta verdade bíblica segundo a qual o caminho para Deus passa indispensavelmente pelo caminho para o próximo, manifesta a própria vitalidade na visão do homem a partir da Eucaristia. É neste modo que o homem deixa de ser indivíduo e emerge como pessoa.
A pessoa não é uma realidade que constitui uma engrenagem de qualquer maquinário ordenado a qualquer fim, por mais justo que seja tal fim (visão, essa, tipicamente coletivista). Também não é um meio em vista de um fim. É o fim de si mesma imagem e semelhança de Deus, que somente na comunhão com Deus e com os outros encontra a própria justificação.
O homem moderno vive quotidianamente sob o peso da oposição entre indivíduo e coletividade. Sua vida social não é communio, mas societas, e sua reação violenta e justificada contra o coletivismo o leva ao individualismo, que é, paradoxalmente, o próprio pressuposto do coletivismo, já que não tem outra escolha.
A tradição cristã não lhe ofereceu uma antropologia que o justificasse como pessoa, já que mesmo na Igreja é sempre olhado ora através do espelho deformante do individualismo, ora através daquele da coletividade. A liturgia pressupõe e conduz a uma antropologia na qual o homem não pode ser entendido a não ser como nova criatura em Cristo.
A liturgia não faz teologia, não formula definições, ela indica e revela, responde à pergunta: O que é o homem, endereçando a Cristo como ao homem por excelência, isto é, como ao homem um com Deus, feito Deus.
Aquele no qual o homem, unido através da comunhão divina, se transforma naquilo que verdadeiramente é: um homem em toda a sua plenitude. Tudo isso constitui a experiência de quem participa da liturgia.
Mas, o que acontece depois que somos despedidos em paz e retornamos ao mundo. Que significado pode ter a eucaristia para a vida ética e comunitária do mundo.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA – 21/06/2014
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O objetivo central da Igreja, sacramento universal do Pai, é despertar a solidariedade dos seus fiéis e da sociedade em relação aos problemas concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução.
A ação evangelizadora, por outro lado, não pode ficar restrita aos momentos litúrgicos. A promoção e a vivência devem acontecer também na catequese, nos encontros de grupos de famílias, nos meios de comunicação social, em mesas-redondas, em palestras, seminários e cursos.
Os três objetivos permanentes da ação Evangelizadora são: despertar o espírito comunitário na Igreja Católica, comprometendo, particularmente, os cristãos na busca do bem comum.
Educar para a vida em fraternidade, com base na justiça e no amor, exigências centrais do Evangelho. Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja Católica na evangelização e na promoção humana, tendo em vista uma sociedade mais justa e solidária.
A vida fraterna estabelece que o homem, enquanto animal político, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade.
Este conceito é a chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. De certa forma, a fraternidade não é independente da liberdade e da igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas.
Para eficaz e frutuosa ação da Evangelização, como de todo programa pastoral, é indispensável reavivar, a cada ano, o processo de seu planejamento. Isto não acontece sem eficientes equipes de coordenação nos diversos níveis. Equipes entusiastas, dinâmicas, criativas, com profunda espiritualidade e zelo apostólico.
Especial compromisso das equipes nos diversos níveis deve ser a de plasmar cada vez a Evangelização. Evitando a novidade pela novidade, as equipes saberão utilizar sua criatividade para realizar algo realmente novo.
É significativo que se abra, mais pastorais, dentro da caminhada eclesial para propor à sociedade, uma transformação e conversão para a verdadeira dignidade humana no respeito à vida de todos.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte.
AUSENTE E PRESENTE – 20/06/2014
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A Fé em Jesus leva-nos a viver como Ele viveu. E a maneira de Jesus viver é totalmente contrária ao modelo de vida que nos é apresentado pelo mundo tão conturbado.
Somos convidados a sermos testemunhas fiéis na Fé, na Caridade, no bom exemplo cristão porque o bem nunca muda. Por isso, durante este espaço da vida que temos aqui na Terra, precisamos ser adestrados no amor.
Assim como aprendemos a cantar, cantando; a nadar, nadando; a tocar violão, tocando; também se aprende amar, amando. Por isso Deus nos pôs ao lado uns dos outros e nos fez família.
Suscitou no coração de cada um de nós a capacidade de amar. Na vida, há momentos de luz e de sombras: às vezes, tudo parece claro; outras vezes, não se vê bem quase nada.
Nossa Fé passa também por períodos contrastantes que até se alternam num ciclo de presença e de ausência. Trata-se de uma pedagogia da vida, do próprio mistério de Deus que se dá a conhecer, mas nos indica que Ele se ausenta sem deixar de estar presente.
Esse aparente paradoxo traz consigo uma possibilidade de nos fazer crescer na fé. Para quem crê, não é difícil descobrir a misteriosa, mas Real Presença de Cristo.
Caminhar nas pegadas de Jesus, hoje, é ser chamado a uma vida comunitária, como resistência contra-cultural, enraizada no silêncio, na solidão e na oração, em solidariedade com todos, especialmente os mais pobres de nossa sociedade.
Assim como as plantas não crescem se puxarmos suas folhas, mas ao contrário, só crescerão quando as regarmos e oferecemos o calor do sol e uma terra fértil, assim também somos nós.
Ninguém cresce se não encontrar um ambiente que ofereça gratuitamente amor declarado, presença sincera, verdade amorosa, vibrante encorajamento. É desta forma que fazemos com que plantas e pessoas cresçam tornando-se tudo o que possuem como semente.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
FESTA LITÚRGICA DO CORPO DE CRISTO – 19/06/2014
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Dois pontos fundamentais concorrem para a nossa reflexão neste acontecimento festivo: primeiramente o próprio Corpo de Cristo apresentado e doado e depois o peregrinar do povo em procissão.
O centro de tudo é o Mistério Eucarístico, o Cristo Pão da Vida, que acompanha e alimenta fortalecendo o povo de Deus que peregrina na história em busca do amanhã eterno.
Este alimento já é eterno. O peregrinar ainda é temporal. O alimento é divino. O peregrinar ainda é do homem que se põe na estrada da vida esquecendo-se do que fica para trás e avançando para o que está diante, prosseguindo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus (cf. Fil. 3,13-14).
É nesta perspectiva que quero pensar com você, caro leitor, esta Festa Litúrgica. Poderíamos, muito bem, buscar uma reflexão levando em conta os aspectos que deram origem a esta celebração, tais como a questão da afirmação da presença real de Cristo na Eucaristia ou outros aspectos que ao longo da história a piedade popular se encarregou de ir acrescentando a esta festa, como os enfeites das ruas e praças.
Antes de tudo, Corpus Christi nos faz olhar para o mistério do Senhor Deus que se reduz a um pedaço de pão consagrado, o Cristo sacramentado. Cristo, doação e entrega. Cristo, sustento e alimento na caminhada, que confirma a sua presença e revigora o discípulo na missão.
Hoje, neste “Corpus Christi”, este Senhor se apresenta nesta pequena partícula de pão e vem interferir na vida de todos nós. Interfere na vida da cidade, grande ou pequena, mesmo secularizada e paganizada, mudando o roteiro do seu trânsito, substituindo o burburinho das suas multidões que se comprimem e correm em busca de tanta coisa no seu dia a dia por um povo de Deus, caminheiro e peregrino, ocupando o seu espaço, possuindo as suas ruas transformando-as em objeto de contemplação.
A multidão dos adoradores do Cristo vivo, porém, e que se alimenta dele, passa em procissão marcando o sinal de uma Igreja viva que está a caminho, que é peregrina consciente de sua missão de apresentar e levar Jesus Cristo Salvador ao mundo, de testemunhá-lo como Senhor da vida e da história, de acompanhá-lo na caminhada, de ser alimentada e fortalecida por este Pão que dá a vida ao mundo.
Mesmo que para o mundo a procissão passe, os enfeites sejam pisoteados e o folclore termine, para nós cristãos fica a certeza e a garantia de que a peregrinação continua e o Corpo de Cristo permanece na Eucaristia sendo o grande sinal da doação plena, da entrega radical, e do sustento eterno concedido gratuitamente a nós como banquete que gera vida e fraternidade.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
EXPERIÊNCIA DE AMOR – 18/06/2014
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É muito comum ouvirmos dizer que a família é o lugar mais importante de nossas vidas, que nela aprendemos muitas coisas. Porém percebemos que ela nem sempre é tão perfeita como gostaríamos que fosse, já que algumas vezes, em seu interior, deparamos com diferentes tipos de problemas: brigas, mal-entendidos, desemprego, comportamentos inadequados, dificuldade de aceitar regras e limites.
O ser humano não é perfeito. Temos muitas falhas, e é na família que muitas delas surgem, por ser com ela que normalmente convivemos, ao menos intimamente, a maior parte de nosso tempo. Às vezes estar próximo demais das pessoas parece só trazer problemas. Mas Deus quis que tivéssemos nossa vida em família para fazermos a experiência de: viver em comunidade; aprender a ouvir; saber ser paciente; respeitar o ritmo dos outros; saber a hora certa de dar e receber conselhos; poder ajudar quando possível e necessário.
Todos esses sinais de companheirismo e cumplicidade nos permitem fazer a experiência do amor, e quem ama só pode querer bem ao outro. Esse é o principal sinal da presença de Deus na família. Quanto aos problemas que surgem no decorrer da vida, eles aos poucos vão sendo superados.
Muitas vezes, após alguns anos, a família se encontra e começa a recordar o passado e lembrar fatos que foram dolorosos e alegres, alguns dos quais até se tomando motivo de piada. Nesses momentos em que recordamos as várias experiências vividas em família, sejam elas boas ou sofridas, é que percebemos quanto os laços de amor se tomaram mais fortes.
O que faz a família ser testemunha da boa nova e sinal da presença de Deus não é os problemas, mas sim os sentimentos que a unem e que todos cultivam entre si, mesmo quando a convivência não ocorre na mesma casa.
Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte.