domingo, 25 de maio de 2014

CORAÇÃO SOLIDÁRIO – 25/05/2014

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O Coração solidário é o lugar da confiança, uma confiança que pode ser chamada de fé, esperança ou amor, dependendo de como estiver se manifestando.

O coração que confia como a característica mais importante da pessoa humana. Não é tanto a capacidade de pensar, de refletir, de planejar ou de produzir que nos torna diferentes do resto da criação: a capacidade de confiar. É o coração que nos torna verdadeiramente humanos.

As afeições humanas não nos levam onde os nossos corações querem nos levar. O coração é muito maior e mais profundo que nossas afeições. Está antes e acima das distinções entre tristeza e alegria, raiva e luxúria, medo e amor.

É o lugar onde tudo é um em Deus, o lugar ao qual realmente pertencemos, o lugar de onde viemos e ao qual ansiamos retomar.

Um coração que deseja ser como Jesus, é um coração que se move, vai ao encontro. O amor, o perdão, a compaixão e a bondade, têm um poder curador muito grande.

A humanidade é carente de amor e as expressões dessa carência nós as vemos, ouvimos e experimentamos em nossa vida, na vida de nossas famílias, de nossas escolas em salas de aula.

O grito que anuncia o alvorecer do Coração Solidário é o mesmo grito do profeta Ezequiel, capítulo 36, 26: "Dar-vos-ei um coração novo, e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne".

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
O Amor se traduz em obras, não em boas razões. 25/05/2014

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Neste VI Domingo do Tempo Pascal, Jesus nos garante sua presença por intermédio do Espírito Santo. Assim, a Palavra nos exorta que Deus não deseja o sofrimento de ninguém, mas às vezes ele é conseqüência da fidelidade ao seu projeto.

Apesar de tudo, não estamos só, porque o Espírito da verdade anima e sustenta a caminhada da comunidade. O Espírito é nosso defensor e nos revela a verdade do Pai, especialmente para os que se deixam iluminar e conduzir pelo Espírito de Deus.

O cristianismo é essencialmente uma experiência, é um encontro com o Cristo Ressuscitado e, para além de qualquer sentimentalismo tão em voga em nossos dias, é verdadeira alegria, é verdadeira beleza que tem o poder de transformar nossas vidas.

Essa experiência com o Senhor, por meio do Espírito, já a fizemos em nosso Batismo, mas é necessário aprofundá-la, vivê-la mais intensamente na liturgia.
Somente a força do ressuscitado na comunidade é capaz de incentivar seus membros a evangelizar, a testemunhar e dar motivo da esperança que existe em nós, fazendo do amor o espaço do divino na vida de seus discípulos e discípulas.

A vida do cristão foi realmente transformada no mistério pascal. Cristo é a nossa força. Ele vem ao nosso encontro pelo seu Espírito Santo. Acompanha-nos e ajuda sempre a ultrapassar todos os obstáculos. Inspira a Igreja a tomar as melhores decisões para o bem dos fiéis.

Se temos algum vínculo com alguém, se cultivamos laços, precisamos de alguma forma externar essa relação. Os que amam querem se ver, tocar-se, conviver.
Isso se dá geralmente num encontro, numa reunião, ou na festa da Eucaristia.

É preciso ritos, nos diria o pequeno príncipe de Exupéry. Os ritos, ou a celebração, nada mais são do que uma relação que migrou do universo interior para o universo exterior da pessoa.

Manifestando-se ela se realiza, concretiza-se e se qualifica como algo fundamental que ocupa todos os espaços do ser e da vida humana.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

sábado, 24 de maio de 2014

JESUS, EU CONFIO EM VÓS. 24/05/2014

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Somos chamados a caminhar para uma vida nova em Jesus Cristo. Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo. Se amarmos a Deus temos a graça de caminharmos pela via da conversão, pois o Senhor quer a nossa salvação, quer também que façamos a nossa parte.

Lutemos contra o pecado, conservando a esperança de que quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a Ele. Somente a experiência pessoal da dor e do sofrimento humano, torna-nos um pouco mais capazes de entender a Cruz, experimentar seu sentido e, enfim, corajosamente, como seguidores de Cristo, desejá-la em nossa vida.

Se os sofrimentos aumentam é sinal de que Cristo deseja, também através deles, fazer-nos mais semelhantes a Ele. Neste mundo tão necessitado de Deus, a vida dos que professam a fé é um desafio cada vez maior para ser a boa nova da salvação de Jesus.

Somos convocados a dar a Deus nossa voz, nossas forças, nossa vida. Senhor nosso Deus amado, concedei-nos a graça, de estarmos atentos às pedras e obstáculos deste dia, e com paciência e caridade, irmos aplainando, na força do teu Santo Espírito, todo o nosso caminho.

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai. Todos nós temos uma história; ninguém nasceu do nada. Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, nasceu em meio a um povo determinado, e assumiu toda a sua história e tradição.

Nós não podemos nos subtrair da nossa história, e ao mesmo tempo precisamos abrirmo-nos à luz do Espírito Santo, para sermos curados e libertos. Jesus encarnou-se e assumiu toda a nossa humanidade, exceto o pecado, para redimir-nos.

Peçamos ao Senhor, que no dia de hoje lave a nossa história com o seu sangue poderoso e nos purifique de todos os males.

Jesus, eu confio em vós.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O SER HUMANO – 23/05/2014

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Qualquer pessoa na verdade é mais que uma pessoa. De certa forma, dentro de cada um, várias pessoas brigam para manter o controle. Para simplificar os conceitos freudianos: há o ego, a pessoa que mantém consciência, é racional, age em função de seus planos e idéias; além dele, há o superego, uma espécie de pai, moral que diz para você o que é certo e errado; por fim, há o id, uma criança, os impulsos primitivos.

O problema não para aí. Há o sujeito social, aquele que se regula pelo outros, calcula as expectativas desses antes de tomar uma decisão. Quem é que deve ficar no comando do sujeito. O que é mais produtivo em termos de carreira. Na verdade, todos têm direito a palpitar e todos são úteis ou inúteis, a depender da situação. Vejamos:

O lado racional: Raciocínios, ideias, informações, avaliações precisas. Usualmente esse é que tem de preponderar, para que se tomem as melhores decisões. O risco é o indivíduo tornar-se exageradamente racional e atrofiar todos os seus outros personagens, vale dizer, o emocional, o moral. Assim, mesmo buscando uma avaliação racional e um comportamento condizente, não se deve esquecer-se das emoções, do social, do moral.

O lado emocional: Emoção, como diz a origem etimológica da palavra, é impulso para a ação. Sem emoção não há solução, poderíamos dizer. Além de colorirem a vida, de garantir o entusiasmo e a vibração com as conquistas, a emoção nos liga às outras pessoas, contagia-as. O perigo é que emoções passem a ocupar espaços exagerados, matando a racionalidade do sujeito. Há também o risco de interferência de contraproducentes (medo, raiva, tristeza), que não levam a coisa boa nenhuma.

O lado social. Ter respeito e consideração pelos outros é ótimo., mas o sujeito que fica todo o tempo tentando agradar, é péssimo. Cultive boas amizades, importe-se com sentimentos alheios, queira agradar, queira ser bem-vindo e bem aceito. Mas, não se torne um camaleão.

O lado moral - Reflete os valores - e dão valor à pessoa. O problema é que a tendência ao moralismo, à preponderância de uma atitude de regulador, isto é, de indivíduo sempre pronto a julgar, condenar, isso é muito ruim. Tenha valores, mas não seja aprisionado por eles a ponto de inviabilizar suas relações com os outros.

Portanto lancemos mãos de nossas faculdades racional, para que sejamos pessoas mais plenas.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ENCONTRO COM CRISTO – 22/05/2014

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Somos continuamente tentados pelo fatalismo. Quando dizemos: bem, tendo sido sempre tão impaciente, acho que o remédio é aceitar a realidade, estamos sendo fatalistas. Quando dizemos: Aquele homem nunca teve um pai ou uma mãe amorosos; não nos devemos admirar que tenha acabado na cadeia, falamos como fatalistas. Quando dizemos: Ela foi importunada sexualmente muitas vezes em criança; como é que querem que alguma vez tenha uma relação saudável com algum homem, estamos deixando que o fatalismo nos sobreponha. Quando dizemos: As guerras entre as nações, a morte de fome de milhões de pessoas, a epidemia da Aids e a depressão econômica em todo o mundo estão ai a demonstrar que há poucos motivos para a esperança, tornamo-nos vítimas do fatalismo.
O fatalismo é a atitude que faz com que vivamos como vítimas passivas de circunstâncias externas fora do nosso controle.
O oposto do fatalismo é a fé. A fé é a certeza profunda de que o amor de Deus é mais forte que todos os poderes anônimos do mundo e que pode transformar-nos de vítimas das trevas em servos da luz.
Depois de Jesus ter expulsado o demônio de um rapaz possesso, os seus discípulos perguntaram-lhe: Porque é que nós não fomos capazes de expulsar. Jesus respondeu: É por que vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês, se tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: Vá daqui para lá, e ela irá. E nada será impossível para vocês ( Mt 17,19-20).
É importante identificarmos as várias formas de pensar, falar ou agir com fatalismo e convertê-las, pouco a pouco, em momentos de fé. Este movimento do fatalismo para a fé é um movimento que removerá as frias trevas do nosso coração, transformando-nos em pessoas cuja fé no poder do amor pode, realmente, fazer mover montanhas em nossas vidas.
O Evangelho nos mostra o surpreendente amor que Maria Madalena tinha por Jesus e a conseqüente experiência que ela faz da presença do Ressuscitado em sua vida, que a levou a exclamar Mestre e a segurá-lo a ponto de o próprio Ressuscitado pedir-lhe que não o segurasse pois ainda não havia subido para junto de Deus. De fato, somente quem ama verdadeiramente a Jesus o reconhece como verdadeiro Mestre e faz a experiência de sua presença viva e amorosa no seu dia a dia. Mas esta experiência necessariamente faz da pessoa um evangelizador. Assim que Maria Madalena fez a experiência do encontro pessoal com Jesus Ressuscitado, foi anunciar esta verdade, removendo todas as montanhas de sua vida.
Estamos vivendo em um mundo que é marcado pela diferença
vista não pelo critério da intercomplementariedade, mas pelo critério da oposição e da hierarquia, o que faz com que vivamos em uma sociedade marcada pelo conflito e pela disputa constante de supremacia sobre os demais, de modo que o outro é sempre um concorrente, não é nunca irmão ou irmã, companheiro de caminhada na construção do Reino de Deus. O Evangelho nos mostra que esses valores que fundamentam a vida das pessoas não vêm de Deus e nem conduz para Deus.
Somente a fraternidade, a justiça e o amor vão possibilitar um mundo marcado pela convivência pacífica entre os seres humanos.
O mistério de Cristo não pode ser interpretado nas estreitas medidas de nossa mentalidade, condicionadas pelas diversas limitações de nossa realidade humana, É pela fé, atitude de diálogo e busca que se pode obter o encontro com Cristo.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O HOMEM PODE FALAR COM DEUS – 21/05/2014

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Falar a Deus em colóquio amigável, descoberto e livre, em atitude de abertura no olhar, no escutar e no esperar, tem a ver com o ser de Deus e com a pergunta sobre Deus; e é a situação ideal para captar o mais possível a realidade de Deus, pois no rezar se exprime o constitutivo da experiência da fé. Qualquer que ela seja.

Mas também tem a ver com a essência do ser humano e com as suas relações fundadoras. Ao rezar, o orante não só pressupõe o ser de Deus, mas também exprime a idéia de si próprio: entende-se não como um ser fechado na imanência, dentro dos limites do humano, mas como aberto para uma dimensão transcendente.

O rezar a Deus é, para além de muitas outras coisas, uma forma de ser humano; é uma forma de o ser humano se experimentar, se perceber genuinamente e se exprimir linguisticamente.
Na Bíblia a oração, além de ser a forma mais densa de captar o ser de Deus, ao vê-lo revelado definitivamente na total comunhão com o ser humano, na pessoa de Jesus, foi à maneira excelente de o ser humano denunciar a sua tendência a superar-se, na procura da transcendência.

Viu-se como um ser para o divino , um ser que se realiza na relação com Deus. Porque a fé do povo bíblico acredita que Deus por própria iniciativa dirigiu aos humanos a sua palavra e lhes revelou o seu ser e a sua vontade, está convicta de que o ser humano pode falar com Deus.

Porque entendia que Deus interpelava o povo criticamente, amigavelmente, salvíficamente, aprofundou a certeza de que Deus é alguém que se pode ouvir e invocar.

No caminho da história dos homens com Deus, a oração bíblica constituiu, pois, um aspecto da captação e da correlativa revelação da imagem de Deus, mas também uma expressão da essência do ser humano.

Para a fé bíblica, a oração é uma realidade tão espontânea que nem se discutia o seu sentido e a sua motivação. Surge como algo óbvio, insistindo-se sem cessar em não relaxar essa naturalidade.

Esta naturalidade compreende-se bem se temos em conta que o povo de Israel vivia num ambiente cultural e religioso, o do antigo próximo oriente, em que a oração era um ingrediente normal da vida humana.

O que se pode dizer é que a oração do povo bíblico seguiu um percurso próprio que culminou na de Jesus, que estabeleceu o mais perfeito traço de união da humanidade com Deus.


Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte
A PALAVRA É A SABEDORIA DO PAI – 21/05/2014

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

O cristão deve ser capaz de mostrar que, Jesus caminha nas estradas da nossa sociedade. Portanto deve abrir os ouvidos para ouvir a Palavra de Deus, preparar-se para acolher a Palavra divina como proposta de vida e, colocar-se à disposição para viver de acordo com o projeto divino. É pelo ouvido, na atitude de quem ouve e acolhe a Palavra de Deus, que nasce o seguimento do discipulado cristão.

A vocação é um chamado misterioso de Deus para servir aos irmãos. Deus se serve muitas vezes de mediadores para executar o seu chamado. Para aceitarmos plenamente a figura de Jesus em nossa vida precisamos de um dado fundamental que é a vivência de fé. Crer na possibilidade de mudança através de Jesus é fundamental para nossa realização existencial.

A sociedade pensa em elaboração de projetos vazios quando deixa Deus ausente do que planeja. Ela cai em um profundo esvaziamento do essencial quando se afasta do Criador. Jesus quer morar dentro do nosso coração através de nossa aceitação. O seguimento de Cristo sempre será para todos os cristãos um grande desafio.

A Palavra é a Sabedoria de Deus vislumbrada nas maravilhas do mundo e no desenrolar da história, de modo que, em todos os tempos, os homens sempre tiveram e têm algum conhecimento dela. Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

terça-feira, 20 de maio de 2014

Bem Aventuranças – 20/05/2014

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

O cristão não funda a esperança em si mesmo nem em pessoa alguma, e muito menos nos bens terrenos. Enraíza sua esperança em Cristo. Muito além dos limites da vida terrena vai a esperança cristã.

Atinge a vida eterna e, propriamente por causa de Cristo, que, ressuscitando, deu ao homem o direito de participar um dia da sua ressurreição.

Neste espírito se entendem as bem-aventuranças proclamadas pelo Senhor. Ultrapassam quaisquer perspectivas de segurança e felicidade terrenas: visam a eternidade.

Com suas bem-aventuranças, inverteu Jesus o valor das coisas. Estas já não se avaliam conforme o sofrimento ou a alegria imediata e transitória que encerram, mas conforme a futura e eterna alegria.

Quanto mais privado está o homem de segurança e felicidade terrenas, tanto mais se abrirá para a confiança em Deus, tanto mais apoio e salvação nele encontrarão.

O Senhor oferece a todos suas bem-aventuranças, mas unicamente as pessoas desapegadas de si mesmas e dos bens terrenos podem alcançá-las.

Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

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