quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MARIA PEREGRINA DA FÉ



A vida real de Maria nos mostra o lugar 
onde o Senhor vê e se faz visto...

Maria, nossa Mãe, é bem-aventurada porque acreditou, isto é, porque viveu de Fé, peregrinou na Fé. Uma mariologia para me agradar e fazer-me bem, deveria mostrar a vida real da Virgem, não àquilo que se poderia supor e, que esta vida real da Virgem deveria ter sido muito simples. As pessoas apresentam a Virgem Maria como inalcançável e seria preciso mostrá-la imitável, fazendo aparecer as suas virtudes, dizendo claramente que Ela viveu de Fé. Dando como provas o Evangelho, onde lemos: Eles não compreenderam o que Ele (Jesus) lhes disse... e esta outra frase não menos misteriosa: Seus pais se admiravam do que se dizia Dele"... Nós sabemos perfeitamente que a Santa Virgem é a Rainha do Céu e da Terra, mas Ela é mais Mãe do que Rainha. Vamos meditar sobre a vida de Maria. Com base no Santo Evangelho, que nos leva a considerar Maria na sua peregrinação na Fé:

O Evangelho nos mostra Maria como contemplativa, a que meditava as palavras e os fatos no seu coração e, como diria São Paulo, como um justo que vive da Fé. São Lucas resume nestas palavras a atitude interior da Virgem: quanto à Maria, Ela conservava cuidadosamente todas estas coisas, meditando-as no seu coração (Lc 2,19) e também, Jesus desceu com eles, regressando a Nazaré e lhes era submisso. Sua Mãe guardava todas estas coisas em seu coração (Lc. 2,51). Vê-se claramente que a vida de Maria se situa na aventura da Fé, na peregrinação da Fé. Sua atitude fundamental é meditar, conservar todas as coisas em seu coração. Meditar é procurar em profundidade o sentido interior dos acontecimentos que nos chegam, vendo-os segundo a lógica do Deus vivo, que intervém na história pessoal, como o fez na história do povo de Israel. Em uma palavra, Maria se deixa habitar pela graça do acontecimento, não importa o quanto obscuro seja este e o acolhe como uma passagem, ou um dom de Deus na sua vida. Podemos entender que Maria caminhou como nós, na aventura da Fé e não se desencorajou ao longo de sua difícil caminhada. A vida real de Maria nos mostra o lugar onde o Senhor vê e se faz visto e, o mesmo deve acontecer na vida de cada um de nós. Maria nos ensina, com seu modo materno, como adquirir a primeira atitude da vida espiritual: crer na Luz, como se víssemos as trevas. Este é o desafio da Fé.

O rosto de Maria no Evangelho nos indica as suas atitudes, ao longo do quotidiano, em sua vida de Fé orientada para Deus, sua disponibilidade à vontade divina e sua vida de simplicidade, confiança e abandono. Maria, modelo de Fé no Evangelho, aparece como mestra de vida contemplativa e espelho de silêncio e recolhimento interior. Inspirando-nos constantemente em Maria, chegaremos ao momento em que nos deixaremos formatar por Ela, para melhor vivermos, lá, no centro de nossa alma. Onde está nossa vida de oração, lugar por excelência onde o Senhor vê e se faz ver.

Maria viveu a aventura da Fé, porque foi somente pela Fé que ela se sustentou durante toda a sua vida. A base necessária à vida de oração é uma fé viva, habitada pela esperança. Maria é a estrela de nossa noite. Portanto, nos convida a implorar seu socorro, nas tempestades do orgulho, da ambição e do ciúme, dizendo-nos: Olhem a Estrela, invoquem Maria. Por fim, aqui fica uma pequena e bela oração para nós: Santa Virgem Maria, a cada dia vós tereis tido de inventar a vossa nova maneira de dizer Sim a Deus; cada dia vós tivestes de recomeçar a descobrir Deus em vossa vida, de um modo que vós não haveis podido prever. Ensinai-nos, pois, a não sermos mais uma coleção de páginas já impressas e acabadas, mas, a cada dia, nos apresentarmos diante de Deus como uma página em branco, em que o Espírito Santo possa livremente desenhar as maravilhas que Ele quer fazer em nós. Também nós queremos viver cada dia como um novo dia de Fé. Deixa o Filho de Deus crescer em ti, porque Ele já nasceu em ti, pelo batismo; deixa que Ele se torne para ti, um imenso sorriso, uma constante exultação e uma alegria infinita, que nada, nem ninguém, te possa roubar.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Virtude da Compaixão



Sem a Compaixão o Homem não existe.

A compaixão talvez seja, entre as virtudes humanas, a mais humana de todas, porque não só nos abre ao outro, como expressão de amor dolorido, mas ao outro mais vitimado e mortificado. A compaixão anula as diferenças e faz estender as mãos às vitimas. Não importa a ideologia, a religião, o status social e cultural das pessoas.

Mesmo que a nossa vida e o mundo não se transformem na intensidade e na velocidade dos nossos desejos, sabemos que nossas ações transformam ou modificam para melhor, não somente a vida de outras pessoas, mas também a nós mesmos. Diante da desgraça do outro não há como não sermos os samaritanos compassivos da parábola bíblica.

Na nossa vida sempre encontramos ou cruzamos com pessoas que estão sofrendo por algum motivo. Nestes momentos todos nós somos de um modo ou outro, tocados pelo sofrimento alheio. Isto se chama compaixão.

A compaixão tem algo de singular: ela não exige nenhuma reflexão prévia, nem argumento que a fundamente. Ela simplesmente se nos impõe porque somos essencialmente seres compassivos.

Na compaixão se dá o encontro de todas as religiões, do Oriente e do Ocidente, de todas éticas, de todas as filosofias, teologias e de todas as culturas. No centro está à dignidade e a autoridade dos que sofrem, provocando em nós a compaixão ativa.

A compaixão de Cristo para com os doentes e suas numerosas curas de enfermos de todo tipo são um sinal evidente de que Deus visitou o seu povo e de que o Reino de Deus está bem próximo.

Jesus não só tem poder de curar, mas também de perdoar os pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessitam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: Estive doente e me visitastes (Mt 25,36).

Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma.

Reprimir o sentimento inevitável da compaixão é reprimir uma parte do eu que está nas profundezas do nosso ser. Em outras palavras, quem nega o sentimento de compaixão não pode se conhecer e, por isso, nem consegue encontrar uma solução para os seus problemas que foram escondidos, empurrados e trancados no mais fundo de si.

Quem não é capaz de permanecer no sentimento de compaixão, não consegue viver uma vida feliz porque tenta negar a sua própria natureza humana.

Em nossa vida, por vezes nos surpreendemos, seja pelas coisas bonitas que somos e realizamos, seja pelas limitações e contradições que experimentamos. Saber da existência desses paradoxos, nos permite ser mais humanos e mais acolhedores.

E as perguntas que, na maioria das vezes, não encontram respostas, freqüentemente nos visitam a consciência: Por que, se temos capacidade de fazer o bem, optamos pelo mal? Por que desenvolvemos a capacidade destruição quando podemos criar harmonia e boa convivência?

Quando sentimos a compaixão, desejamos que os sofrimentos das outras pessoas cessem, não só porque as amamos ou acreditamos que elas têm direito a uma vida mais digna e humana, mas também para que os nossos sofrimentos resultantes da compaixão sejam aliviados.

Neste processo sentimo-nos compelidos a fazer algo para mudar a situação, assim como também incluímos no nosso horizonte de futuro desejado a superação das situações que causam estes sofrimentos.

Abertura ao sofrimento alheio que nos permite tomar contato com os nossos sofrimentos e medos, a esperança de um futuro onde estes problemas foram solucionados e ações concretas que nos dão convicção firme de que estamos, dentro das possibilidades, fazendo a coisa certa para caminharmos em direção a este futuro desejado são elementos fundamentais de uma vida feliz.

É claro que não devemos cair na tentação e pressão de sermos perfeitamente compassivos e capazes de ações perfeitas e plenas para salvar o mundo. Só na medida em que aceitamos a nossa dificuldade é que poderemos viver e fazer o que podemos de fato.

Compaixão, responsabilidade e solidariedade são valores fundamentais para salvarmos o mundo e as nossas vidas do niilismo, cinismo, da indiferença e da desumanização.

Mesmo que a nossa vida e o mundo não se transformem na intensidade e na velocidade dos nossos desejos, sabemos que nossas ações transformam ou modificam para melhor, não somente a vida de outras pessoas, mas também a nós mesmos.

Sem a compaixão o homem não existe. Pois a realidade está em Deus. Exercitando a compaixão saímos dos túmulos do pecado e da miséria humana. Alcançamos à imortalidade. A compaixão nos livra de morrer em vida.




+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria


Maria cheia de Deus

Hoje, dia 08 de dezembro de 2011, a Igreja celebra a Imaculada Conceição, É a agraciada Maria que adere ao projeto de Deus, aceitando ser mãe de Jesus. Na escolha de Maria, jovem e pobre, Deus já insinua seu plano da elevação dos pequenos e humildes.

A liturgia deste dia afirma, de forma clara e insofismável, que Deus ama os homens e tem um projeto de vida plena para lhes oferecer. A história de Maria de Nazaré responde, de forma clara, a esta questão: é através de homens e mulheres atentos ao projeto de Deus e de coração disponível para o serviço aos irmãos que Deus atua no mundo, que Ele manifesta aos homens o seu amor, que Ele convida cada pessoa a percorrer os caminhos das bem-aventuranças e da realização plena.

É aí que somos colocados diante do exemplo de Maria. Confrontada com o plano de Deus, Maria responde com um sim total e incondicional. Naturalmente, ela tinha o seu programa de vida e os seus projetos pessoais; mas, diante do apelo de Deus, esses projetos pessoais passaram naturalmente e sem dramas a um plano secundário. Na atitude de Maria não há qualquer sinal de egoísmo, de comodismo, de orgulho, mas há uma entrega total nas mãos de Deus e um acolhimento radical dos caminhos de Deus.

A Imaculada Conceição de Maria é uma solene proclamação da fé do povo de Deus, do sentir da Igreja. Maria confirma solenemente o mistério da encarnação de Jesus Cristo e da redenção dos homens, centro de nossa fé. Por ela o Verbo de Deus entra na história, inaugurando o tempo da graça e da liberdade dos filhos de Deus.

A Imaculada abriu a porta do mundo para o advento do Deus redentor, na carne da humanidade. No seu humilde sim traz a todos a maior de todas as graças: Cristo, o Filho do Deus vivo, nosso salvador e redentor. Por isso, na Solenidade da Imaculada Conceição, com razão a Igreja e todos os fiéis exultam de alegria pela ação divina de Deus na história, pelas maravilhas que Ele pode realizar na Igreja e na vida de cada um. Maria nos dá o exemplo de atitude filial, de obediência e de amor àquele cujo nome é grande e que grande coisa realizou em sua humilde serva.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Católica Belo Horizonte

Terceiro Domingo do Advento


Não há melhor maneira de se viver o Advento 
que se unindo a Maria.

Este terceiro domingo do advento é também chamado de Domingo da Alegria (gaudete). É chamado de Gaudete devido à primeira palavra da antífona de entrada da Missa: gaudete (alegrai-vos), na qual se traduz a alegria pela vinda do salvador e redentor do gênero humano.

Em vez da cor roxa, própria do Advento, os presbíteros podem usar neste dia as vestes litúrgicas de cor rósea. As flores e os cantos indicam o caráter festivo, antecipatório da alegria do Natal que se aproxima.

Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se preparou para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira.

Nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver e agir.

Os cristãos devem viver com alegria este período de advento, apesar de saber que o Natal ainda não chegou. Os cristãos estão arraigados no presente, mas de olhar no futuro, que sempre deve ser fonte de alegria.

E não por causa dos homens, mas por causa da ação misteriosa e eficaz do Espírito Santo na história dos homens. O progresso científico, afinal, e mais ainda o progresso moral da humanidade, apesar da sua ambivalência e deficiência, contribuiu de alguma forma para o reinado de Deus no tempo e na vida dos homens.

Precisamos olhar com mais atenção o nosso mundo, para perceber que em meio a tanta dor e morte, a tanta violência e injustiça, ainda nascem e crescem e se multiplicam por toda parte ações que contribuem para a construção da paz, do amor, da ternura, de partilha, de solidariedade.

Precisamos redescobrir o que de bom e belo existe nas pessoas. Tantas são as iniciativas a favor da vida. Vamos apoiá-las e divulgá-las mais.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

domingo, 4 de dezembro de 2011

DOMINGO DIA DO SENHOR


Da Eucaristia brotou ao longo dos séculos 
um imenso caudal de caridade, 
de participação nas dificuldades dos outros, 
de amor e de justiça.

O Domingo significou, ao longo da vida da Igreja, o momento privilegiado do encontro das comunidades com o Senhor ressuscitado. É necessário que os cristãos experimentem que não seguem um personagem da história passada, senão o Cristo vivo, presente no hoje e no agora de suas vidas.

Ele é o Vivente que caminha ao nosso lado, descobrindo-nos o sentido dos acontecimentos, da dor e da morte, da alegria e da festa, entrando em nossas casas e permanecendo nelas, alimentando-nos com o Pão que dá a vida.

O encontro com Cristo na Eucaristia suscita o compromisso da evangelização e o impulso à solidariedade; desperta no cristão o forte desejo de anunciar o Evangelho e testemunhá-lo na sociedade para que ela seja mais justa e humana.

Da Eucaristia brotou ao longo dos séculos um imenso caudal de caridade, de participação nas dificuldades dos outros, de amor e de justiça. Só da Eucaristia brotará o amor, que transformará a nossa vida num oceano de amor.

A participação nos mistérios do Senhor nos leva a amar desde agora o que é do céu. O acolhimento da Palavra e a comunhão sacramental nos capacitam para o discernimento entre as efêmeras realidades terrenas que passam, daquelas realidades que são bens eternos, nas quais deve estar depositada a nossa esperança.

O sacramento da Eucaristia nos purifica dos pecados, pois nos dá o penhor da redenção eterna. A refeição sagrada nos prepara e torna dignos não só para celebrar as festividades natalinas, memorial da primeira vinda do Senhor, mas também para participarmos do banquete da vida eterna, na grande festa da salvação, quando nos será dado receber o prêmio e colher com alegria os dons eternos.

Por isso, o preceito dominical que a Igreja tem, pedindo que todos participem da celebração eucarística, é fonte de liberdade autêntica, pois poderemos viver cada um dos outros dias segundo o que celebramos no dia do Senhor.

A vida de fé corre perigo quando se deixa de sentir desejo de participar na celebração eucarística em que se faz memória do mistério pascal.

A participação na assembléia litúrgica dominical, ao lado de todos os irmãos e irmãs com os quais se forma um só corpo em Cristo Jesus, é exigida pela consciência cristã e simultaneamente educa a consciência cristã.

Perder o sentido do Domingo como dia do Senhor que deve ser santificado é sintoma duma perda do sentido autêntico da liberdade cristã, a liberdade dos filhos de Deus.





+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

A Metanóia de Cristo

Nunca se faz uma conversão uma vez para sempre.


A conversão tem que se tornar algo que faz descobrir que Deus é a cada dia uma novidade surpreendente e ainda que permita que as outras pessoas, com as quais me relaciono, sejam sempre mais Elas. Deus sempre nos pede a conversão.

E esta se situa não em primeiro lugar no campo moral, mas no campo do pensamento e do ser. A conversão exige uma reformulação do nosso esquema de pensar, de julgar e de viver.

Nunca se faz uma conversão uma vez para sempre, mas todos os dias. O próprio João, que anunciou ao povo, teve necessidade de fazer uma conversão talvez mais profunda do que aquela que ele mesmo exigia dos outros.

Abrir para esta faceta, pessoas e realidades, é descobrir uma faceta nova do rosto de Deus. Porque Deus não muda, o que deve mudar é o nosso modo de ver a Deus. Abandonando preconceitos e suposições.

A conversão não pode ser um processo doloroso, mas uma experiência que liberta. Refletir sobre a conversão é sermos provocado a rever nossos conceitos sobre Deus, sobre as pessoas e sobre nós próprios.

A conversão de cada cristão é um processo lento de assimilação, aprendizado e amadurecimento. E aqueles que hoje são considerados pastores dentro da Igreja correm o mesmo perigo.

Se não procurarem olhar sempre para os apelos de Deus que vem até nós nos fatos sempre novos, examinados à luz da palavra de Deus, chegará para eles o dia em que vão renegar a Igreja que hoje estão ajudando a crescer.




+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

sábado, 3 de dezembro de 2011

Natal


Festa da Esperança!

O nascimento de Jesus teve por objetivo apresentar o amor de Deus aos homens. O novo nascimento que os crentes podem experimentar neste natal, é este amor, derramado em nossos corações.

A tendência natural da enxurrada consumista é nos levar para as lojas, para os agitos, para as cestas recheadas, para as árvores e enfeites, para o Papai Noel e, finalmente, para as festas.

Desse momento ninguém pode escapar. Seria bom que chegássemos neste natal com o coração cheio de alegria e esperança. Natal é festa de esperança. E o que mais o mundo necessita hoje é esperança autêntica.

Temos posto a esperança em coisas erradas. Esperança no progresso humano, no gênio inventivo, no futuro melhor, no poderio militar, na segurança financeira, na eficiência do governo, nos movimentos, nos grandes líderes, nos partidos políticos, nas negociações de paz.

Mas todos têm falhado em nos dar esperança. Temos descoberto que ter esperança em qualquer deles é conhecer desapontamento e finalmente experimentar o desespero.

Precisamos de algo mais que sonhar acordados ou esperar cegamente que tudo dê certo. Precisamos de uma esperança vibrante na dor, coerente no pesar, incansável no quebrantamento de coração, inatacável no desapontamento e imorredoura na pressão da vida.

A verdadeira esperança não advém do planejamento, nem provém da procura da esperança. Ela cresce a partir de duas convicções básicas: que Deus está presente e ausente. É por isso que uma verdadeira experiência do Natal nos traz esperança duradoura.

+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

Mensagem de Natal




O Natal propõe educar-nos para a solidariedade, para a procura do essencial, para o encontro com Deus. O natal também tem que nos arremessar para a experiência solidária e para a partilha fraterna com nossos irmãos, independentemente da sua etnia, cultura ou credo.

Todos têm direito igual ao Natal. Todos têm a mesma necessidade do Natal. Todos precisam do Natal. Que ninguém exclua da mesa da família humana o amor de Deus derramado em nossos corações. O natal. O cristianismo só cumpre verdadeiramente a sua missão se contagiar de amor e esperança a humanidade.

A bem dizer, só existe uma maneira de retribuir, por pouco que seja o maravilhoso presente dado por Deus à humanidade naquela longínqua noite primeira de Natal: procurar viver integralmente os ensinamentos ministrados por Seu Filho, independentemente de como se compõem as formas exteriores dos múltiplos ritos religiosos.

Transformar em vida as palavras do Mestre, e só quem ama o próximo como a si mesmo estará em condições de festejar o Natal da maneira certa: com a alma preenchida de alegria e o coração a transbordar de gratidão.




+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

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