terça-feira, 22 de novembro de 2011

REINO DE DEUS


A Igreja vive da fé que brota da evangelização

A Igreja, baseada na Palavra de Deus, é esta: todos nós e tudo o que existe se encaminha para o encontro com Jesus Cristo, Salvador e Senhor, para a manifestação plena da redenção. E isso significa a participação no Reino de Deus em sua plenitude. O título de Cristo-Rei é tomado da linguagem humana para nos ajudar a compreender algo do que é o Reino de Deus e de como reina o Cristo-Senhor.

A Boa Nova da salvação veio ao mundo, por iniciativa amorosa de Deus Pai e do Espírito Santo, pelo envio a nós da Palavra eterna, o Filho Amado. A chegada do Messias foi anunciada pelos Profetas como um evento esperançoso e de grande alegria para toda a humanidade, como recordamos no Advento.

Jesus anunciou a chegada do Reino de Deus como o maior bem para o homem, em função do qual vale a pena investir e arriscar tudo na vida. Enviando seus discípulos ao mundo, Ele os encarregou da proclamação desta Boa Nova a todos os povos. Assim, a Igreja fez ao longo dos séculos e vai continuar a fazer também no presente e no futuro.

Todos os batizados são beneficiados por este belo anúncio; a Igreja vive da fé que brota da evangelização e caminha na esperança da plena realização das promessas de Deus. Ao mesmo tempo, esta não é uma obra para poucos: todos os batizados são, por graça de Deus, discípulos e missionários de Jesus Cristo. Nem todos o fazem do mesmo modo, mas todos precisam sentir-se envolvidos com isso.

A Igreja e à humanidade; os leigos, vivendo e testemunhando sua fé, ajudam a transformar a cultura e as estruturas do convívio humano, para que o bem do Evangelho possa ser acolhido por todos e trazer frutos bons; os missionários dirigem-se aos povos e, entre alegrias e sacrifícios, anunciam também a eles que o Reino de Deus chegou e é um bem para eles.

Os missionários do Reino de Deus, enviados para o meio do mundo para testemunhar e anunciar, de muitas maneiras, que o Reino de Deus já chegou; aderir a ele e viver conforme o jeito do reino é um grande bem para o mundo, a melhor coisa que pode acontecer.

Isso pode parecer sonho distante para quem não tem fé. Mas essa é a esperança dos cristãos, bem fundada na Palavra de Deus. O Reino de Deus é o dom maior, o dom completo de Deus ao homem. Não é sonho distante, pois o Filho de Deus veio ao encontro de todo homem e, com ele, o Reino de Deus já irrompeu nesse nosso mundo. Acolher o Reino de Deus e entrar nele requer mudança de vida, é novidade boa, é a melhor escolha para o homem.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

sábado, 19 de novembro de 2011

Igreja: Unidade na Diversidade

Igreja unidade dos fiéis constituindo um só corpo em Cristo

Deus age pela unidade, mas também pelas Diversidades. Isso pode ser observado na criação. Deus atrai a Si pessoas de todos os ambientes, talentos, temperamentos. No mundo humano, a variação humana é freqüentemente considerada um problema a superar. Deus a considera uma oportunidade de fazer uso de todo o espectro humano para levar Sua mensagem ao mundo.

O orgulho está no centro da desunião, enquanto a humildade está no centro da reconciliação. A gentileza ou mansidão é essencial para a unidade da igreja. Sendo o oposto da auto-afirmação, a mansidão não reage diante das ofensas. Paciência significa resistência diante da aflição, recusa de vingar as injustiças, e não abrir mão da esperança de reparar relacionamentos interrompidos.

Suportar uns aos outros envolve o entendimento da outra pessoa e disposição para se perdoarem e aceitar-se mutuamente. Evidentemente, todas essas graças têm suas raízes no amor, e é esta prática ativa do amor que preserva as relações e promove paz e unidade na comunidade cristã.

Nosso corpo compõe-se de diferentes membros, que realizam diferentes funções. Mas tudo para o crescimento e melhoramento do corpo. Como indivíduos, cada um de nós cuida de seus próprios interesses. O eu é nossa prioridade, mas quando nos tornamos cristãos, devemos ter um alvo: glorificar a Deus. Trabalhando juntos para alcançar um alvo, cresceremos.

Quando nos tornamos cristãos, Cristo deu significado à nossa vida: Sua glorificação e a edificação de Seu corpo, a igreja. Embora sempre sejamos pessoas diferentes, temos sempre diferentes partes a desempenhar porque estamos trabalhando para alcançar o mesmo alvo. É assim que Cristo pode levar-nos à unidade na diversidade.

Deus promoveu a unidade do corpo cristão. Um Deus, por meio de um Cristo nos redimiu do pecado, deu-nos uma fé, nos regenerou por um Espírito, nos fez membros de um corpo por meio de um batismo, e nos deu uma esperança eterna. Toda a Divindade está envolvida na unidade da igreja. Esse tema está em harmonia com o espírito da epístola, que freqüentemente enfatiza o papel da Trindade na história da redenção.

O livro de Efésios foi escrito por Paulo enquanto era prisioneiro em Roma aguardando julgamento. Ele havia fundado a igreja de Éfeso em sua terceira viagem missionária, três a cinco anos antes. Visto que não podia visitar novamente a igreja de Éfeso, escreveu para eles uma carta a fim de fortalecê-los e confirmá-los na graça de Deus e no evangelho de Cristo, bem como para encorajá-los a realizar suas obras de serviço e santidade em resposta à graça salvadora de Deus.

O Espírito Santo promoveu a unidade na igreja formando um corpo, habitando na igreja universal e sendo a esperança da redenção futura. O Filho promoveu a unidade na igreja sendo a cabeça da igreja, o objeto de fé de todos os crentes, e Aquele em quem todos os crentes são identificados. O Pai promoveu a unidade da igreja sendo o Pai de todos. O soberano sobre todos, vivendo através de todos, e habitando em todos os crentes.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

Oração Contemplativa


Caminho de Cura Interior

O ser humano não pode ser curado em seu interior através da mera disciplina. O lidar com os pensamentos e os exercícios concretos é um bom auxilio para as paixões se aquietarem e a alma tornar saudável. Mas só a contemplação produz a verdadeira cura. Assim experimentaram os monges e assim deveremos experimentar em nossa vida.

A Contemplação é a oração pura, é a oração continuada, a oração acima dos pensamentos e sentimentos, a oração de união com Deus. A Oração contemplativa é o presente mais belo que Deus nos agraciou. A dignidade humana consiste em unir-se a Deus através da Oração. Existe afinal algo que seja melhor que um tratamento íntimo com Deus e que seja mais elevado que viver inteiramente em sua presença. A oração é a ascensão do espírito para Deus.

O Espírito Santo condutor de nossa oração tem compaixão de nossas fraquezas e freqüentemente vem em nosso auxílio, mesmo que nós não sejamos dignos dele. Se ele nos procura, enquanto lhe oramos por amor à verdade, ele nos inunda e nos ajuda a nos desprendermos de todos os raciocínios e pensamentos que nos mantém presos a nós mesmos, conduzindo-nos assim à oração espiritual.

Quando verdadeiramente oramos, nasce em nós um profundo sentimento de confiança a nos revelar todo o sentido da criação. A oração é o comportamento que corresponde à dignidade do espírito; ou, melhor ainda, é a sua mais nobre e apropriada ação.

É através da oração de contemplação que alcançamos o estado da mais profunda paz. Descobrimos em nós um espaço do puro calar. E é ai que Deus mesmo habita em nós. E este espaço, que é o espaço de silêncio em nós: chama-se Lugar de Deus ou Visão de Paz.

É através da oração que o homem vê sua própria luz. E é por esta luz que ele descobre a sua própria natureza, que é toda reluzente e tem parte na luz de Deus. Neste lugar de Deus, no lugar da paz no interior da alma, tudo é silêncio e ai só Deus habita. Ai tudo é curado. É também ai que, no amor de Deus, todas as feridas que a vida possa nos ter infligido são cicatrizadas.

Ai desaparecem todos os pensamentos em relação às pessoas que nos feriram. Nossas paixões não têm ai nenhum acesso; ai também os homens não podem atingir-nos com suas expectativas, opiniões e preconceitos. Pois é ai que nos unimos a Deus, mergulhados em sua luz, em sua paz, em seu amor. Esta é a meta do caminho Espiritual.

Somente quando sentirmos que a realidade é propriamente mais profunda, isto é, que é Deus a realidade mais profunda, nos libertaremos de nossos problemas. É através da oração que podemos mergulhar no espaço do verdadeiro silêncio; silêncio em que tudo está salvo, curado e integrado; silêncio no qual nos é dado sentir uma profunda paz, apesar de todas as feridas e humilhações.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO 20/11/2011 – Ano A - (Mateus25, 31-46)


Assentar-se-á em seu trono e separará uns dos outros

Chegamos ao final de mais um ano litúrgico. Hoje festejamos Cristo, Rei do Universo. Proclamamos em nossas liturgias que Jesus é Rei, que seu Reino não é desse mundo, mas convive conosco, especialmente no relacionamento que dispensamos a quem está debilitado na vida.

Durante trinta e três domingos fomos exortados pelo evangelista Mateus a aprender e compreender sobre o que vem a ser a justiça de Deus. E, fechando este ano litúrgico, especialmente hoje, Mateus vem nos mostrar que no reino de Jesus deve prevalecer a Justiça, a Vida e a Liberdade, direitos inalienáveis dos filhos e filhas de Deus.

Porém, a garantia desses direitos depende de cada um de nós. Para tê-los é preciso aceitar o reino inaugurado por Jesus, e colocar-se como instrumento de antecipação desse reino no meio de nós. Só assim alcançaremos o merecimento de ver Jesus em sua majestade e realeza.

A descrição do Juízo Final é a conclusão do Sermão Escatológico de Mateus 24-25, e o último ensinamento de Jesus conforme o Evangelho de Mateus. Isso já mostra sua importância. O texto lido hoje não é um texto apocalíptico como alguns afirmam. Também não é uma parábola, como muitos a consideram; pois seu conteúdo não é uma imagem. É uma exortação profética à conversão, em forma de uma cena apocalíptica. O texto mostra as três imagens de Jesus: Pastor, Rei e Juiz.

Neste Domingo, celebrando a realeza de Jesus, ressuscitado pela justiça e misericórdia de Deus, somos julgados pelos pobres mais pequeninos. É possível proclamar a realeza de Cristo enquanto seus prediletos são excluídos da liberdade e do direito à vida digna.

O julgamento será a manifestação daquilo que fazemos a Cristo neste mundo, na pessoa do doente, do faminto, do sedento, do preso. Não haverá surpresa para quem reconhece Jesus presente, na pessoa do necessitado. Essa é a religião pura e sem mancha, a base do julgamento final, quando Jesus Cristo se manifestará como Senhor e como Rei do Universo.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

terça-feira, 15 de novembro de 2011

SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO ANO A – 20/11/2011 - (Mt, 25, 31-46)




A celebração, que antes se chamava Solenidade de Cristo Rei passou a ser chamada de Solenidade de Cristo Rei do Universo. A mudança terminológica é conseqüência de outra visão teológica, que ressalta a dimensão universal da restauração e da reparação universal realizada em Cristo.

Sem abandonar a dimensão pedagógica e catequética do reinado de Cristo, foi introduzida também a dimensão teológica que aponta o destino de todas as coisas: a plenitude em Cristo, Senhor, simbolizado como o alfa e o ômega, aquele que era que é, e que será eternamente.

A teologia litúrgica do reino de Deus, com base na Liturgia da Palavra proclama que o reino não é deste mundo, pois tem origem divina, e que a missão terrena de Jesus consistia em vir ao mundo para trazer o reino de Deus.

Celebra também nossa participação no Reino de Deus, sob a condição de aderir à verdade trazida por Jesus. Participação possível graças à Cruz, pela qual Jesus constitui um reino de sacerdotes para seu Deus e Pai.

Dimensão importante é a dimensão escatológica como uma realidade inerente à vida cristã de caminheiros que se dirigem à Casa do Pai para participar da plenitude do reino, junto com Cristo. Por fim, em decorrência disso tudo, os celebrantes são convocados a assumir o compromisso de fazer acontecer o reino entre nós.

A celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, fecha o Ano Litúrgico onde meditamos, sobretudo no mistério de sua vida, sua pregação e o anúncio do reino de Deus. Durante o anúncio do reino, Jesus nos mostra o que este significa para nós como Salvação, Revelação e Reconciliação ante a mentira mortal do pecado que existe no mundo.

Jesus responde ao Pilatos quando pergunta se na verdade Ele é o Rei dos judeus: Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui. Jesus não é o Rei de um mundo de medo, mentira e pecado, Ele é o Rei do reino de Deus que traz e ao que nos conduz.

Esta solenidade celebra Cristo como o Rei bondoso e singelo que como pastor guia a sua Igreja peregrina para o reino celestial e lhe outorga a comunhão com este reino para que possa transformar o mundo no qual peregrina. Assim Jesus Cristo é o Rei e o Pastor do reino de Deus, que nos tirando das trevas, nos guia e cuida em nosso caminho para a comunhão plena com Deus amor.

Junto com a solenidade de Cristo Rei, celebra-se também o Dia do Leigo e da leiga. Vocação especial, muitas vezes esquecida (tendemos a acreditar que vocacionados são somente os sacerdotes e freiras), ser leigo ou leiga no mundo de hoje é um permanente desafio. Desafio de vida e testemunho: como ser do mundo, sem ser do mundo, como nos conclama São Paulo.

Leigos e leigas ocupam importantes ministérios na vida da Igreja e assumem sua vocação particular de constituir família, e aceitar com generosidade a vocação matrimonial que Deus lhes dá. Assumem a vocação de atuar profissionalmente com ética, dedicação e diferencial positivo no sentido de ser uma pessoa diferente no meio de tantas. Assumem vocação missionária, dedicando-se muitas vezes solitariamente ao outro mais necessitado. Enfim, leigos e leigas assumem o grande desafio de serem pedras vivas da Igreja, trabalhadores do reino que Cristo Rei vem implementar.

Cristo proclamou seu reino quando esteve diante de Pilatos como um vencido e aniquilado. Os seus o haviam abandonado. Judas o havia delatado. Pedro o havia renegado. Completamente só. Bradou ao céu impassível seu clamor: Meu Deus, por que me abandonaste. Morreu fracassado. Mas nisso residiu sua vitória. Ele é rei na derrota. A vida de Cristo é norma e modelo para a vida de todo cristão.

A despeito de nossa fraqueza e medo, somos chamados a imitar a sua vida e a morrer a sua morte e, assim, participar da sua vitória. Até mesmo a obra que realizamos juntos se submete a esta lei fundamental do cristianismo. Cada irmão sofredor traz a cruz de Cristo como contribuição para a redenção do mundo. Também você tem sua aflição, sua cruz, suas fraquezas. Não se amargure por isso. Não pretenda entender o que Deus ainda não lhe quer desvelar. Não duvide do seu amor. Acolha com o coração em festa tudo o que Deus lhe faz.

O Evangelho também apresenta a realeza de Cristo em relação com sua Paixão e a contrapõe, ao mesmo tempo, às realezas terrenas. Tudo isto baseado no colóquio entre Jesus e Pilatos. Sempre se ocultara o Senhor às multidões, que em momentos de entusiasmo queriam proclamá-lo rei. Entretanto agora, que está para ser condenado à morte, confessa abertamente sua realeza. A pergunta de Pilatos: Então és rei? Responde: Tu o dizes, eu sou Rei. Antes, porém, declarara: Meu reino não é deste mundo.

A realeza de Cristo não está em função de domínio temporal algum, nem político! E, ao contrário, de domínio espiritual: consiste em anunciar a verdade, em conduzir os homens à suprema Verdade, libertando-os das trevas do erro e do pecado, Para isto vim ao mundo. Diz Jesus: para dar testemunho da verdade. Jesus é a Testemunha fiel da verdade, isto é, do mistério de Deus e de seus desígnios de salvação do mundo. Veio revelá-los aos homens e testemunhá-los com o sacrifício da própria vida. Por isso, só quando está para abraçar a Cruz declara-se Rei. E, da Cruz, atrairá tudo a si.

Todo povo de Deus tem, com o Cristo esta realeza. Esta é o domínio do amor que transforma o mundo. O amor é a primeira fonte da união com Deus. Ele faz de nossos gestos de serviço aos outros, da transformação das estruturas de escravidão em liberdade, um sacerdócio do povo de Deus e de cada um que santifica o universo. Ser cristão é já construir o reino de Cristo no mundo. A modalidade de construir este reino é o serviço fraterno, humilde como Cristo fez na sua morte que o glorificou. Unindo nossa vontade à sua e a vontade do Pai, podemos crer em verdade que Ele é Rei e Senhor.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

Essência do Evangelho: Fé, esperança e Amor.


Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a conseqüente imagem do homem e do seu caminho.

O testemunho do cristão é o verdadeiro dínamo da fé, do amor e da esperança: a fé leva ao conhecimento da verdade e da justiça; o amor produz novas relações entre os homens; a esperança abre o futuro para a liberdade e a vida.

Programas sociais que mudem o perfil social, reduzindo drasticamente a fome, a violência, à desesperança, que resolvam problemas de moradia, faltam de emprego e educação são soluções importantes, necessárias e urgentes, mas nesse momento, o ponto importante e crucial é implantar na cabeça de cada brasileiro e aos cidadãos do mundo, fé, esperança e amor, que torna possível concretizar a curto, médio e longo prazo, impulsionando os indivíduos a lutar sempre, desistir jamais.

Somente aqueles que têm uma confiança e esperança em Deus, em si mesmos e no futuro, somando esforços, podem aprender a transformarem a si mesmo e promover mudanças significativas ao seu redor, influenciando positivamente.

Jamais ousando se vangloriar, sabendo, no entanto, que muito do que for semeado, será colhido por outros, num processo longo e continuado.

Ausência de fingimento, hipocrisia, lutando contra a discriminação sem, contudo abrir mão da crença pessoal, influenciando, nunca oprimindo ou obrigando.

As palavras de ordem são servir, serviço, Constância e consistência. Então a palavra amor se traduzirá por alegria, moderação, otimismo e responsabilidade.

A Igreja é convocada, primeiro, a aumentar o espaço de sua tenda e a tornar-se morada de povos irmãos e casa dos pobres, instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, fermento do Reino de Deus. Conseqüentemente, é preciso, fincar as estacas com profundidade para firmar e alargar a tenda segura.

O tema da conversão, antes de ser dirigido aos destinatários da missão é apontado agora como caminho para a própria Igreja. O conteúdo dessa conversão consiste na volta à essência do Evangelho.



+Dom Eduardo Rocha Quintella,
Bispo  Diocese Belo Horizonte

sábado, 12 de novembro de 2011

XXXIIIº DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A (Mt 25,14-30) - 13/11/2011



Fostes fiel no pouco, 
vem participar da minha alegria

A liturgia do XXXIIIº Domingo do Tempo Comum recorda a cada cristão a responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, ativa e comprometida desse projeto de Deus Pai, para os homens e mulheres Contemporâneos.

Enquanto o ano litúrgico já vai chegando ao fim, somos convidados a olhar para as realidades escatológicas da nossa fé, que são também o objeto da esperança cristã: a morte, o julgamento de Deus, a vida eterna e a felicidade plena junto de Deus.

Ainda peregrinamos pelas estradas da vida na penumbra da fé, mas já entrevendo a luz da glória celeste; essa já se manifestou em Jesus Cristo ressuscitado.

Somos pessoas de esperança; não apenas de esperança humana, que se esgota nas realizações humanas. Somos animados pela esperança grande, transcendente, que decorre diretamente da fé e da fidelidade de Deus.

Essa esperança é uma virtude transcendente. Ela nos dá força, coragem e perseverança na prática do bem, da justiça e da retidão, mesmo nas maiores dificuldades, ou quando não parece haver mais motivos humanos para isso.

Os talentos que recebemos de Deus são, em primeiro lugar, os bens e riquezas do seu Reino: a salvação, a fé, o seu amor, a sua amizade. São também em segundo lugar, os naturais: a vida e saúde, inteligência e vontade, família e educação, iniciativa e trabalho, simpatia e personalidade.

A Liturgia deste domingo ensina que o dia do juízo de Deus não se sujeita às previsões humanas. O Dia que vem procede do Senhor e virá a seu tempo para receber os talentos que confiou a nós.

E este dia será oportunidade para o testemunho da fé, pois tudo aquilo que se opõe ao Reinado de Deus será desmascarado e denunciado, exigindo que uma posição seja adotada e uma postura seja assumida por parte da humanidade. A recompensa para os que optaram pela justiça será o convívio com Ele.

Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos segredos do Reino e a revelação de Deus como Pai. Esse dom é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade.

Nem a comunidade cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora carreguemos esse tesouro em vasos de barro. Temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa experiência de Deus e do Reino.

Não é suficiente que estejamos preparados para o encontro com o Senhor, o outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça. A vocação cristã à fé em Cristo é o grande talento que resumem todos os outros.



+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

domingo, 6 de novembro de 2011

XXXIIº Domingo Comum Ano A – 06/11/2011 – (Mateus 5,1-12) - Solenidade de todos os Santos

Bem-aventurados os que são perseguidos 
por causa da justiça, 
porque deles é o Reino dos Céus.


A liturgia do XXXIIº Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância. Recorda-nos que a segunda vinda do Senhor Jesus está no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para acolhê-lo.

Ao fazer uso da pedagogia das Bem-aventuranças, Jesus, respeitando nossa liberdade de escolha, quer nos apontar qual é o caminho para a santidade.

A santidade cristã, na realidade de nossa existência provoca a mentalidade do mundo, que reage com perseguição; com as mais variadas formas de perseguição, desde aquela física como aquela psicológica.

A santidade é a perfeição de vida que se conquista no dia-a-dia, com altos e baixos, momentos de alegria e momentos de tristeza. Nossa grande esperança é a cruz que venceu o medo, o pecado e a morte.

Na Igreja, nas comunidades, na vida das pessoas, sempre chega um terremoto, e de repente. Deus permite isso por que precisamos deixar as seguranças, as estruturas.

Muitas realidades precisam de outro vento impetuoso como o de Pentecostes para fazer tudo novo outra vez.

A Palavra de Deus nos ensina que assim é a comunidade: lavam as feridas uns dos outros e fazem festa. Os irmãos não curam as feridas, mas lavam para não infeccionar a outros.

Uma comunidade está reunida por que todos encontraram o tesouro escondido e por isso vive a festa da Eucaristia.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

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