terça-feira, 18 de outubro de 2011

Jesus e o Reino de Deus



Jesus pregava o reino de Deus. Muitos exegetas concluem que esse era o verdadeiro núcleo da mensagem de Jesus à palestina do século I. Em certo nível, talvez seja impossível estabelecer com precisão tudo o que Jesus quis designar com a expressão reino de Deus.

Em outro nível, entretanto, tal designativo pode ser facilmente compreendido por todos: Sabemos perfeitamente bem o que ele quis dizer em termos gerais: O poder soberano de Deus. Na oração ensinada por Jesus, os cristãos suplicam regularmente que seja feita a tua vontade [Deus], assim na terra como no céu (Mt 6, 10). Esse é o reino de Deus.

A expressão reino de Deus é um símbolo religioso que remete a uma esfera transcendental. Na medida em que alude ao reino de Deus, é realidade engendrada por um poder transcendente que não tem como ser circunscrito pela imaginação humana, nem definido em termos conceituais ou factuais precisos.

O reino de Deus é escatológico; em última instância, abarca o futuro, o fim dos tempos, o arremate e a realização da história. Trata-se de um reino utópico, e pensar que seu advento ocorrerá em determinado tempo e lugar é equivocar-se a respeito do símbolo.

Até onde sabemos, Jesus nunca definiu exatamente como o reino de Deus se manifestaria; não disse de que maneira seria instaurado. Contudo, o reino de Deus faz sentido contra o pano de fundo das profundas negatividades da vida humana; apela ao desejo e à esperança humanos em favor do que deve e pode ser, em virtude do poder de Deus, em face da impotência humana.

Em função de sua transcendência última, o reino será concebido de inúmeras formas diferentes. Em Jesus, contudo, o reino de Deus não está apartado nem desvinculado deste mundo. Em seu ensinamento, o reino é iminente, está em via de instaurar-se no mundo; Jesus é seu precursor, em certos aspectos, é seu agente, e o reino de Deus vem à luz em seu magistério e em sua ação.

Diversas dimensões do reinado de Deus podem ser experienciadas como concentradas em Jesus: o reino de Deus do futuro está ligado à sua pessoa e à sua ação; a práxis de Jesus torna o reinado de Deus presente, e defende-se que isso é uma causa e uma missão que atrai discípulos.

Ao fazer do reino de Deus o núcleo de sua pregação, Jesus foi teocêntrico. Não proclama a si mesmo; sua pessoa e sua obra não aparecem como o foco do seu próprio ensinamento. Pelo contrário, Jesus falava a respeito de Deus, a quem se referia como Pai. Deus, a vontade de Deus, os valores de Deus, as prioridades de Deus dominavam tudo quanto se lembrava haver Jesus dito e feito.

Quando afirma que Jesus foi obediente ou recebeu uma missão do Pai, o novo testamento reflete a centralidade do reino de Deus na vida de Jesus como causa. O consistente retrato de Jesus é de alguém absolutamente comprometido e fiel à missão de concretizar e objetivar a vontade e os valores de Deus na história.

O fato de o reino de Deus ter sido tão central para a vida e o ensinamento de Jesus torna-o normativo para o teólogo cristão: as cristologias que o negligenciam são inadequadas, e, positivamente, os cristãos devem descobrir algum significado para o reino de Deus em sua concepção teológica do mundo.

+Dom Eduardo Rocha Quintella

Bispo  Diocese Belo Horizonte 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

XXIXº Domingo do Tempo Comum (Mt 22,15-21) – Ano A – 16/10/2011

Deus Conduz a História da Humanidade

Neste XXIXº Domingo Comum aprendemos que não devemos separar a liturgia de nossa vivência cotidiana. Hoje somos desafiados a não separar a Fé e a Vida. Não devemos ser caracterizados pela hipocrisia.

Ao contrário, somos criaturas de Deus e nossas atitudes devem revelar a semelhança que temos com nosso Criador. Nossa autenticidade de cristãos é que nos fará vencer os desafios lançados pelas oportunidades e facilidades do mundo capitalista no qual vivemos.

O tema da Liturgia da Palavra de hoje plasma todo o sentido e significado de Deus em nossa vida. Jesus não pede que nos distanciemos do mundo, mas que vivamos no mundo, respeitando o poder político e a ordem social, sem esquecer que o poder divino conduz a história da humanidade.

Jesus foi capaz de transpor todo e qualquer limite, mesmo que fizesse parte da sagrada tradição judaica, quando se tratava de anunciar o Reino de Deus. O absoluto para Jesus era o amor que Deus, seu Pai, dedicava às suas criaturas, amor este, que se exprimia concretamente no cuidado dispensado às pessoas ao seu redor, beneficiárias do seu ministério.

No meio das agitações e perturbações da vida, não percebemos de imediato a presença de Deus. O vazio, o desalento, a descrença, a desesperança fragmenta todo nosso ser. Acontece que é preciso deixar para trás as luzes do mundo que ofuscam nossa visão para enxergar, na fé, na Palavra de Deus, a presença do Transcendente.

Encontrar-nos com Deus é encontrar-nos com sua Palavra para descobrir o Deus misericordioso sempre presente, e sempre pronto a nos estender a mão. Nossa vida é cheia de desafios. Deparamo-nos com dúvidas, limitações, medos, dificuldades, obstáculos, perseguições.

Conhecer Jesus, estar com Jesus, confiar em Jesus e em sua Palavra é uma doxologia que nos plenifica. Com Jesus a peregrinação do Cristão, pode não ser sem sobressaltos, mas estará segura a chegada à plenitude, porque temos quem garante não só o caminho, mas a vida, a nossa vida.




+Dom Eduardo Rocha Quintella

Bispo  Diocese Belo Horizonte

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Exortação Apostólica sobre Liturgia


A beleza tem a tarefa de nos despertar a uma outra coisa que não está nela mesma. Diante da beleza o coração se enche de espera, porque imediatamente nasce a pergunta: Quem é o Artífice, o Criador disto tudo? Então tudo que é belo pode abrir em nós o desejo da busca do Senhor, a Beleza encarnada.

Na Liturgia a beleza é o próprio motivo pelo qual a celebração se dá: para Deus, com Ele e Nele. É a Doxologia. Qualquer motivo que não seja este esconde a Beleza presente ao invés de revelá-la.

Na minha experiência, a participação diária à Santa Missa é a coroação de tudo o que me acontece naquele dia porque é o Lugar Privilegiado para retomar a minha consciência ao reconhecimento da presença da Beleza de Cristo.

Na experiência de todos nós católicos (sacerdotes, religiosos ou leigos), creio que esta que poderia ser chamada perda de sensibilidade é o nosso maior drama.

O drama é justamente o ceder ou não ceder à Beleza de Cristo no contexto da vida. O coração deseja esta familiaridade com Aquele que é a própria Beleza, para que repletos da Sua Presença possamos reconhecê-Lo presente em todas as circunstâncias da nossa realidade, para que nossos olhos possam transbordar para o mundo este que é a Beleza. 

Este drama, ou perda de sensibilidade, é fruto da nossa auto-suficiência, desta separação que fazemos das coisas do dia-a-dia e da vida espiritual. A nossa vida cotidiana, a realidade do trabalho, das obrigações, das alegrias, das perdas e dificuldades.

 A Liturgia, por sua vez, só é bela e, portanto, verdadeira quando despojada de qualquer outro motivo que não seja a celebração de Deus, para Ele, por meio Dele, com Ele e Nele.

A Liturgia deve ser vista como um todo, e não como algo fragmentado, com momentos um pouco mais ou um pouco menos importantes. Não pode ser atravessada como um ritual já conhecido.

Cada instante da celebração é importante e deve ser acolhido e saboreado, porque cada momento será único, belo e verdadeiro somente se vivido no reconhecimento do Senhor.

Ao sacerdote cabe colher e revelar a beleza presente nas leituras e no Evangelho, orientando os fiéis apenas para o que é essencial (Cristo), e nunca para qualquer outro assunto.

Como num todo, as equipes responsáveis pela música e colaboração à Liturgia devem ser igualmente orientadas e acompanhadas ao Essencial.

Outro aspecto muito importante a meu ver é o silêncio. A própria Liturgia tem na sua seqüência uma série de momentos de silêncio, que não são espaços vazios de tempo, mas espaços de tempo repletos da Presença. Ao preencher estes momentos com músicas ou palavras supérfluas, encobrimos o Essencial.

Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos.  Está presente na sua palavra. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo Diocese Belo Horizonte

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

XXVIIIº Domingo Comum (Mt 22, 1-14) Ano A - 11/10/11


Convidai para a festa todos os que encontrardes

Neste XXVIIIº Domingo Comum a Liturgia nos conduz ao banquete. É desse modo que a espiritualidade eucarística entende a vida humana como um constante convite à comunhão com Deus e com o outro, que é irmão e irmã.

A cada momento da história pessoal, para quem não é indiferente ao convite do Rei, existe um apelo divino convidando à comunhão, convidando a participar, com Deus e com o irmão, do grande banquete da vida.

O Evangelho de hoje nos leva a refletir sobre o banquete do Senhor. Felizes os convidados para o banquete do Senhor. Jesus retoma na parábola deste domingo à figura do banquete nupcial.

A figura é conhecida também nos escritos laicos. Comer à mesa do rei expressava o auge da felicidade. Os profetas fizeram o povo sonhar com o dia em que todos se assentariam à mesa do rei.

Mas, Deus não impõe a salvação. Deus não nos obriga a aceitar nada. Deus respeita a liberdade humana. Na parábola do evangelho, os convidados não aceitaram o convite para o banquete nupcial.

Será que também nós andamos tão atarefados com as coisas deste mundo que não damos valor ao que é mais importante. Então, se aceitarmos o convite, deveremos vestir o traje nupcial, ou seja, ser cristão não só de palavras, mas também de obras. Não basta ser batizado; é preciso viver como filhos de Deus.

Aceitar o convite é fazer uma opção, aceitar a amizade que transborda da taça e dar uma resposta plena de confiança. Participar do banquete, no entanto, requer preparo para não ser dele excluído, como aquele que não portava o traje adequado. Nesse caso, estar preparado é ter as mãos limpas e o coração puro.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

sábado, 1 de outubro de 2011

Ide por todo o mundo anunciar o Evangelho, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo.


Iniciando o Mês de Outubro. Mês, por excelência, dedicado por toda a Igreja às missões. É justamente neste mês que nossas comunidades se concentram em um traço característico de nossa identidade cristã – sermos missionários.

É também o mês do Rosário e da Virgem Aparecida, padroeira do Brasil. Ela dá um caráter distintivo ao mês missionário. Maria é a grande Missionária do Pai. Esvaziou-se plenamente para que Deus pudesse habitar totalmente nela.

Outubro é para nós católicos, um momento especial de reavivarmos nossas consciências em favor do próximo. Assim, despertaremos em cada cristão sua vocação missionária. realizando gestos concretos na ajuda aos empobrecidos.

Hoje, é muito claro para a Igreja de que somos todos missionários, pelo simples fato de sermos batizados, e assim, inseridos no mistério pascal de Jesus Cristo. Esta missão consiste em Anunciar aos empobrecidos a Boa Nova.

Uma grande missionária foi Santa Teresa de Lisieux, mais conhecida como Santa Terezinha. Jovem francesa do século XIX, de temperamento delicado e forte. Sua vida nos mostra que em qualquer lugar ou situação em que estamos, podemos e devemos ser missionários e portadores da Palavra de Deus. Isto só depende de nós.

Que Santa Terezinha interceda por nós junto a Jesus, para que sejamos, igualmente, ardorosos missionários no ambiente onde vivemos ou trabalhamos, construindo assim, um futuro mais rico de amor, fraternidade, alegria e paz para a humanidade.

                  

+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

XXVII Domingo do Tempo Comum (Mateus 21, 33-43) - Ano A. 02/10/2011

O Reino de Deus será entregue a um povo que produzirá frutos

Neste XXVIIº Domingo Comum somos convidados a celebrar a páscoa de Jesus. Ela se realiza nas comunidades e grupos dispostos a colaborar para que o reino de Deus produza frutos.

Nós e nossas comunidades somos a vinha do Senhor. Sintamos-nos privilegiados, pois Deus cuida com carinho de cada filho e filha que pertence à sua vinha, pois ela é regada com o precioso sangue de Cristo para que produza os frutos da paz e de vida.

O simbolismo da vinha acompanha os celebrantes durante três Domingos: o convite para trabalhar na vinha, a possibilidade de recusa e a conversão e, nesse Domingo, a necessidade de produzir e apresentar ao Patrão celeste frutos de qualidade, produzidos na grande vinha, que é o mundo e a sociedade onde vivemos.

A trilogia da vinha evidencia que a fé se compõe de orações, meditações, espiritualidade e trabalhos concretos, com o mesmo cuidado de quem cultiva uma vinha. Assim acontece com quem se dispõe a viver a fé trabalhando concretamente para produzir frutos de vida nova, próprios do Reino de Deus, na sociedade.

A vinha do Senhor somos nós os cristãos: pelo Batismo fomos enxertados em Cristo. Fomos revestidos da graça de Jesus Cristo, adornados com um cortejo de virtudes e dons sobrenaturais, alimentados continuamente pelos Sacramentos, protegidos e guiados pela nossa Mãe, a Santa Igreja.

A condição para darmos muito fruto é estarmos unidos a Jesus Cristo. Sem a união a Jesus Cristo não pode haver fecundidade apostólica. Para darmos os frutos que Deus espera de nós, além da união a Cristo, é necessário o esforço e a disposição constante de viver as virtudes sobrenaturais e humanas na ação apostólica que deve ser prática e dinâmica.

Para isto, o Senhor fez de nós, não servos, mas seus amigos, para sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro dos outros. Para levarmos a todos, o vinho novo do evangelho. Só assim, Deus poderá entrar no nosso mundo, transformá-lo, com a abundância e a novidade do seu amor por nós.

               
+Dom Eduardo Rocha Quintella.
Bispo Diocese Belo Horizonte 

sábado, 24 de setembro de 2011

XXVIº Domingo Comum - Ano A – (Mt 21, 28-32) - 25/09/2011.

Arrependeu-se e foi trabalhar na vinha

Neste XXVIº Domingo do tempo comum. A Palavra de Deus nos faz mergulhar em nossa fragilidade humana nos leva também a experimentar a bondade sempre fiel do Senhor que nos propõe mudança de vida e acredita em nossa conversão.

A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas.

Quando o convite não é aceito numa primeira oportunidade, seu eco não foge do coração e lá fica gritando de muitas formas. Sempre é tempo de arrepender-se, repensar a atitude e aceitar o convite de trabalhar na Vinha do Senhor.

O arrependimento nasce da capacidade de comparar a atitude assumida com outra atitude melhor. Só é capaz de arrepender-se quem tem capacidade de avaliar com sinceridade que frutos sua conduta de vida está provocando em si e na vida das outras pessoas.

Por isso, o convite para trabalhar na vinha do Senhor destaca a conversão como um processo que se inicia no coração e conduz a atitudes práticas do cultivo do Reino de Deus na vida social. No contexto divino, a conversão humana é motivo de alegria e ocasião para Deus manifestar sua infinita misericórdia.

A parábola dos dois filhos desiguais ainda é de grande atualidade. Somo todos filhos do Pai que nos convida para trabalhar na Sua vinha, como convidou outrora todos de seu povo: pobres e ricos, pecadores e justos, ladrões e mulheres da vida, sacerdotes, escribas e fariseus. Todos eram e todos somos filhos do mesmo Pai.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Setembro: Mês da Bíblia


Setembro, mês da Bíblia. Neste mês a Igreja celebra a Bíblia, a Palavra de Deus que nos conduz no caminho da salvação. Dentro do calendário litúrgico pastoral, este é um tempo para refletirmos sobre a Bíblia como fruto da inspiração divina e do esforço humano e a sua importância para nossa vida.

Foi São Jerônimo, a ser celebrado no dia 30 de setembro, que dedicou a vida ao estudo e tradução dos textos sagrados. Estudou o hebraico e o grego com um esforço sobre-humano para melhor compreender as Escrituras nas línguas originais. Por desejo do Papa Dâmaso, de quem foi o secretário, e que desejava uma tradução da Bíblia, em latim, mais fiel em tudo aos textos originais, Jerônimo assumiu esta missão.

Dedicou-se, praticamente a esta tradução, toda a sua vida. O conjunto de sua tradução da Bíblia, em latim, chamou-se Vulgata. A Vulgata tornou-se o texto oficial com o Concílio de Trento e só cedeu lugar a novas traduções, ultimamente, pelo avanço dos estudos lingüístico-exegéticos dos nossos dias. Grande espaço de sua vida Jerônimo a viveu em Belém e lá morreu no ano de 420.

A Bíblia é o Testamento de Amor, a Carta de Amor que Deus Pai deixou para toda a humanidade. É nela que nós vamos encontrar os desejos e as intenções de Deus para conosco. É nela que podemos encontrar as recomendações e os tesouros que Deus tem para nos oferecer. Se nós não abrirmos a ela e não lermos esta Carta de Amor, não ficaremos sabendo da amizade íntima que Deus quer ter conosco desde o nascer ao pôr-do-sol.

É a história, que no princípio, era a história de um povo e que se torna a história do mundo inteiro, convidado a pertencer ao Novo Povo de Deus. Com este povo Deus caminha, como o descobrimos, lendo a Bíblia. Caminha hoje conosco. Como caminhou com o povo antigo. E quem caminha com Deus não erra o caminho, nem perde a esperança: Senhor, tua palavra é lâmpada para os meus passos, uma luz no meu caminho, como se canta nos salmos (Sl 118, 105).

A Bíblia é como uma Luz que ilumina a escuridão da nossa vida e faz a gente enxergar as coisas. A luz é para iluminar, para clarear o caminho por onde passamos, assim é a Palavra de Deus. Se alguém fica olhando só para a luz, ou direto para o sol, o que vai acontecer? Aos poucos ela não vai mais ver nem o sol e nem aquilo que o sol quer iluminar. Assim acontece o mesmo com aquelas pessoas que só ficam olhando para Bíblia e, de repente, acabam não entendendo nem a Bíblia e nem aquilo que a ela quer iluminar, que é a vida.

Quem lê e estuda a Bíblia, mas não olha a realidade do povo oprimido de ontem e de hoje, nem luta pela justiça e pela fraternidade, é infiel à Palavra de Deus e não imita Jesus Cristo. É semelhante aos fariseus que conheciam a Bíblia de cor, mas não a praticavam. Vamos pedir a Deus que a Sua Palavra seja como a chuva que cai e não retorna sem ter realizado a sua missão (cf. Is 55,10). Com a Bíblia na mão e os pés no chão, construindo um Mundo de irmãos.


+Dom Eduardo Rocha Quintella
Bispo  Diocese Belo Horizonte

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